Estudo de Harvard atesta que voar de máscara é mais seguro do que ir ao mercadinho

Glenn Fawcett, via Wikimedia Commons.

Mais um estudo com selo científico de peso atesta a segurança das viagens aéreas em relação à COVID-19 – desde que tomada as devidas precauções. A Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, divulgou os primeiros resultados de uma pesquisa que atesta que o sistema de ventilação das aeronaves comerciais tem grande eficiência na eliminação do novo coronavírus do ar.

Os dados foram publicados na terça-feira, 27 de outubro e podem ser acessados na íntegra nesse link.

De máscara

Os pesquisadores da Escola de Saúde Pública TH Chan, da universidade norte-americana, confirmaram que os sistemas especializados de ventilação a bordo filtram até 99% dos vírus transportados pelo ar. Embora o ar seja circulado de volta para a cabine de passageiros, ele passa primeiro por filtros de alta qualidade e a direção do fluxo atmosférico de cima para baixo diminui o risco de infecção por gotículas expelidas por passageiros contaminados.

No entanto, a pesquisa faz a ressalva de que a ventilação só é eficiente se os passageiros estiverem fazendo uso de máscaras durante todo o voo. Os pesquisadores de Harvard descreveram a proteção facial como uma parte crítica para manter os viajantes saudáveis, já que elas evitam o contato direto com resíduos contaminantes.

Segundo a pesquisa, viajar de avião, devidamente protegido por máscara, é mais seguro (menor risco de infecção) do que atividades do dia-a-dia, como fazer compras em mercadinho ou ir a um restaurante.

Modelos de computador

O estudo de Harvard utilizou modelos de computador para analisar o fluxo de ar dentro da cabine de passageiros. Isso significa que os cientistas não foram a campo, ou seja, não observaram diretamente a qualidade atmosférica nas aeronaves, mas fizeram uso de softwares que reproduzem fielmente o sistema de ventilação dos aviões comerciais.

A análise por computador da universidade está de acordo com outro estudo recente do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que usou manequins vestidos com máscaras cirúrgicas e equipamento de detecção de partículas em jatos Boeing 767 e 777. Esse estudo encontrou pouco risco de transmissão graças às máscaras e ventilação de ar eficiente.

O estudo, contudo, levantou questionamentos de críticos por ter sido financiado por companhias aéreas, fabricantes de aviões e administradores aeroportuários. No entanto, em reportagem da CNN americana, os pesquisadores declararam que isso não afetou os resultados, que são puramente científicos.

A pesquisa também se restringiu em analisar o risco de contaminação pelo ar dentro de uma aeronave, sem considerar o grau de transmissão de outras etapas da experiência do voo, como serviço de bordo, banheiros, além de saguões do aeroporto e filas de segurança e embarque. Os pesquisadores alegam que estes pontos estarão na próxima fase do estudo.

Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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