Eterna start-up Avatar Airlines agora quer os dez Boeings 747 da Thai Airways

A eterna candidata a estreante Avatar Airlines, dos Estados Unidos, agora encabeça uma nova empreitada, como sempre, visando a adquirir seus primeiros Boeing 747 para futuros voos regionais. A verdade é que a empresa fez de tudo nessas últimas três décadas, mas nunca conseguiu conquistar um certificado de operador aéreo ou adquirir aeronaves, o que gera grandes dúvidas sobre seus reais objetivos.

Depois de propor à British Airways a troca de alguns jumbos por ações que não tem valor de mercado, de ter pedido ajuda do governo americano na pandemia, mesmo sem ter um único voo e de ter seu certificado de operador aéreo recusado pela quinta vez, agora a empresa tenta um novo negócio com a Thai Airways. A empresa tailandesa anunciou recentemente que pretende vender seus dez Boeing 747-400.

Qual é a proposta

Em carta enviada à imprensa, assinada por Peter Tosches, diretor de relações públicas, a Avatar comenta sobre sua proposta à empresa tailandesa, especialmente sobre uma carta de intenções, admitindo interesse nos 10 Boeing 747 que a asiática está vendendo.

“Desenvolvemos uma oportunidade de investimento criativa e considerável para a Thai Airways converter algumas de suas aeronaves de grande porte não utilizadas e potencialmente obter um retorno muito maior do que se a aeronave fosse simplesmente liquidada em dinheiro”, disse o fundador do Avatar e CEO Barry Michaels. Devido à natureza do negócio, termos específicos não foram divulgados.

Avatar planeja operar serviços regulares entre as principais cidades em todos os Estados Unidos e Havaí, com rotas incluindo destinos de férias domésticos populares e grandes atrações voltadas para a família. Seu novo objetivo é estrear em março de 2022.

Avatar emitiu um memorando de colocação privada para levantar $ 300 milhões, oferecendo 20 milhões de ações preferenciais conversíveis Série A a um preço inicial de $15 por ação. Os investidores qualificados podem adquirir um mínimo de 5.000 ações, com incentivos especiais de “pré-decolagem” para os primeiros 25 investidores, conforme descrito nos documentos de investimento da empresa, que estão disponíveis em seu website. Três webinars foram agendados em dezembro para potenciais investidores aprenderem mais sobre a oferta. 

“Nossa oferta para a Thai Airlines é parte de uma oportunidade maior de parceria que acreditamos que não só acelerará os planos do Avatar de começar a voar dentro de 12 a 18 meses”, disse Michaels, “mas também posicionará a Thai Airways para uma entrada em codeshare no mercado dos EUA e um relacionamento de longo prazo entre nossas duas empresas”.

Aposta no 747

O 747, conhecido nos círculos da aviação como “Rainha dos Céus”, continua muito popular entre os viajantes e oferece uma cabine espaçosa construída para acomodar até 581 assentos. Seu espaço de carga considerável também permite um transporte comercial ponto-a-ponto mais eficiente de contêineres de armazenamento e paletes, ideal para atender às necessidades crescentes de varejistas e clientes de comércio eletrônico.

A Avatar, com sede na Flórida, planeja ser líder nos Estados Unidos em tarifas ultrabaixas para passageiros – 30% a 50% mais baixas do que as tarifas regulares dos concorrentes, sem taxas de bagagem ou alteração. A companhia aérea também planeja gerar receita por meio de uma série de outras fontes, incluindo publicidade externa das aeronaves e a bordo, transporte de carga e parcerias com atrações populares e destinos de férias.

Há quase trinta anos, a empresa espera iniciar operações. Na semana retrasada, a empresa divulgou o seguinte vídeo chamando por investidores. Segundo a companhia, essa é a melhor época para investir no setor aéreo.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

Veja outras histórias

Itália proíbe voos e passageiros chegando do Brasil

0
A Itália é o mais novo país a proibir voos chegando do Brasil, temendo uma nova onda de infecção através da nova cepa do Coronavírus.