Ethiopian Airlines acusada de usar suas aeronaves como armas de guerra

Apesar da empresa estatal etíope, Ethiopian Airlines, negar com veemência, evidências documentais e fotográficas mostram que ela transportou armas, incluindo munições e rifles, em suas aeronaves, alimentando um conflito sangrento na região de Tigray.

Manifestos de carga, fotos e relatos testemunhais obtidos pela CNN mostram como a Ethiopian Airlines transportou e emitiu faturas contra o Ministério da Defesa da Etiópia em seis ocasiões pelo transporte de equipamento militar entre 9 e 28 de novembro de 2020. Segundo a CNN, a maioria dos voos ocorreu em novembro, mas alguns continuaram após essa data.

A acusação e as evidências foram publicadas nessa semana e a repercussão gerou uma reação imediata e firme da Casa Branca, que ameaça impor sanções na Etiópia e na empresa aérea por seu apoio ao conflito. A decisão seria apoiada numa ordem executiva, assinada no mês passado pelo governo Joe Biden, que permite ao governo congelar ativos de entidades cúmplices do conflito de Tigray.

Em resposta à investigação e evidências apresentadas pela CNN, um porta-voz da companhia aérea estatal disse que ela “cumpre estritamente todas as regulamentações nacionais, regionais e internacionais relacionadas à aviação”, e que, “tanto quanto é do seu conhecimento e dos seus registos, não transportou qualquer armamento de guerra em qualquer uma das suas rotas por qualquer uma das suas aeronaves”.

A guerra

O governo etíope declarou uma guerra total contra os separatistas na contestada região de Tigray em novembro passado, depois que combatentes da Frente de Libertação do Povo de Tigray lançaram um ataque contra as forças etíopes. No início do conflito, Tigray sofreu bombardeios pelas forças do governo etíope. No início de junho de 2021, havia 350.000 pessoas passando fome em Tigray e milhares morreram.

A Human Rights Watch coletou evidências de massacres de civis, estupro sistemático e violência sexual, deslocamento forçado e ataques deliberados a infraestrutura civil, incluindo hospitais.

Alegações de atos que poderiam constituir crimes de guerra foram feitas contra todas as partes, incluindo a TPLF, bem como contra o exército etíope e as forças do governo da Eritreia que receberam armas da Etiópia.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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