Ethiopian Airlines já pensa em comprar parte da South African Airways

As duas maiores empresas aéreas da África podem firmar uma grande parceria em breve, já que a Ethiopian estaria considerando comprar parte da South African.

Boeing 777 da Ethiopian em Guarulhos

A notícia foi divulgada hoje pela Bloomberg e aponta que as duas empresas aéreas membro da Star Alliance estão negociando um acordo.

Sem conseguir gerar lucro desde 2011 e em situação financeira ruim, a administração da estatal South African Airways (SAA) considera um bom momento para privatizar a companhia, seja de maneira parcial ou total.

E a Ethiopian já se manifestou a respeito: “Nós estamos interessados em apoiar a South African Airways, nós iremos considerar se a aérea nós fizer uma oferta de compra”, afirmou Tewolde GebreMariam, CEO da Ethiopian.

Dois tipos diferentes de estatais

Airbus A330 South African Airways
Airbus A330-200 da South African Airways em Guarulhos

A companhia etíope cresceu muito nos últimos anos, mas apesar de ser também estatal, conta com uma administração bastante elogiada. Foi a única que conseguiu passar a hegemonia da própria South African no continente africano.

Um exemplo da confiança do mercado na Ethiopian é o acidente do 737 MAX: após a queda do jato pertencente à companhia indonésia Lion Air, a maioria da opinião se voltou contra a suposta falta de qualidade de treinamento e manutenção na Indonésia e na própria Lion.

Porém, quando o segundo acidente aconteceu, e desta vez com um avião da Ethiopian, o mercado acendeu um alarme para a segurança do próprio Boeing 737 MAX, já que a empresa africana sempre manteve altos padrões de segurança. O que mais tarde se provou verdade com as investigações.

SAA necessita de milhões

Airbus South African

Enquanto a Ethiopian vai de vento em poupa, na ponta Sul do continente africano a SAA está cortando diversas rotas e precisa de $2 bilhões de randes sulafricanos (R$539 milhões) para que se sustente até o início do ano que vem.

Acusações de corrupção e outros erros da administração têm pesado na conta da companhia, que ainda enfrenta a crescente disputa de aéreas low-costs e novos players internacionais.

A única novidade “boa” da companhia nos últimos tempos é que ela irá operar o Airbus A350 para substituir, ainda de que maneira temporária, os seus beberrões quadrijatos A340-600.

Atualmente a Ethiopian e a SAA voam diariamente para o Brasil, com voos saindo, respectivamente, de Adis Abeba e Joanesburgo para São Paulo – Guarulhos.

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos