Ethiopian pode não aceitar a compensação da Boeing pelo acidente do 737 MAX

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O segundo acidente do Boeing 737 MAX foi o que despertou a atenção do mundo sobre a aeronave, mas até hoje a Ethiopian não recebeu a compensação por ele e as negociações parecem distantes de terem um final.

© LLBG Spotter

O acidente de 2019 vitimou 157 pessoas e chamou a atenção do mundo, já que a Ethiopian tem um histórico exemplar de segurança de voo, além de parecer estranho acontecerem dois acidentes com o mesmo modelo e num espaço de tempo curto entre eles. E foi justamente após o segundo acidente do MAX que a maior crise da história da Boeing começou, com a paralisação dos voos do modelo em todo o globo por mais de 600 dias, uma dura investigação e também a necessidade de pagar pesadas compensações pelo tempo parado.

Nesse ínterim, muito também se falou das empresas mais afetadas: a Ethiopian e a Lion Air, que além de ficarem sem poder voar durante o banimento do modelo, perderam pessoal, clientes e equipamento nos acidentes.

Especialmente para a empresa etíope, os advogados americanos do escritório DiCello Levitt Gutzler, contratados para tratar o caso com a Boeing em seu nome, não recomendaram que a aérea aceite o acordo extra-judicial oferecido pela fabricante, que segundo eles “é muito pouco” e eles podem ganhar mais se forem aos tribunais.

“Irá deixar uma quantidade substancial de dinheiro na mesa e será um tremendo erro político e financeiro para a Ethiopian Airlines”, afirmaram os advogados em nota obtida pelo Seattle Times.

DiCello estima que a empresa teve um prejuízo de, ao menos, $1,8 bilhões de dólares com o acidente e seus desdobramentos. A proposta da Boeing estaria entre $500 e $600 milhões, bem menos da metade que a Ethiopian teria direito.

Para piorar a situação, uma boa parte desse dinheiro viria na forma de descontos para compra de aeronaves e serviços futuros, o que pode não atender aos anseios da Ethiopian.

A empresa etíope ainda tem 25 encomendas do Boeing 737 MAX para receber e, assim como a Lion Air, não se pronunciou sobre o futuro do MAX na sua frota. Tanto na Indonésia como na Etiópia, o jato não foi recertificado ainda e não existe uma data para que isso ocorra.

Outro fator atuante é a pandemia, que atrasou os planos da aérea estatal em ser privatizada, além do que ela não deve receber mais dinheiro por parte do governo agora, dadas outras prioridades da crise sanitária. Deve ser considerado também que a COVID-19 afundou a demanda, fazendo com que os descontos oferecidos pela Boeing não tenham tanto sentido, já que a empresa irá demorar a encomendar novos jatos e voará menos que o esperado nos próximos anos.

Tanto a Boeing Company como a Ethiopian se negaram a falar sobre o assunto oficialmente, e uma decisão sobre o acordo ainda não foi feita.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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