Estados Unidos pedem que países impeçam o sobrevoo do “Aeroterror”

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O secretário de estado dos EUA, Mike Pompeo, reforçou na última quarta-feira (3), o pedido para que países aliados proíbam o sobrevoo de aeronaves que voam em rotas entre Venezuela, Irã e Síria, uma operação que já foi apelidada de “Aeroterror”.

aeroterror

“Aeroterror” é a forma como passaram a ser chamados os voos que ligam, sem escalas, a Venezuela, Síria e Irã, países atualmente comandados por regimes ditatoriais. Essas operações começaram em 2007 após um acordo do então presidente da Venezuela, Hugo Chavéz, e o então presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Os voos eram frequentes, embora não houvesse venda ativa de passagens para eles.

Após um tempo em operação, denúncias surgiram nos Estados Unidos e Europa de que os voos tinham a finalidade de transportar cargas ilegais, como ouro, pedras preciosas, drogas e armamento para suporte a grupos terroristas do Oriente Médio. E isso acabou por resultar na criação do apelido para esse voo.

Outra alegação é a de que nunca houve demanda que justificasse um voo direto nessas rotas, que são geralmente operadas por Airbus A340 da venezuelana Conviasa ou da iraniana Mahan Air.

Após um hiato, a volta

Após cerca de quatro anos sem voos frequentes, em 2019 a ligação foi retomada com força total.

A primeira a anunciar o retorno foi a Conviasa que, inclusive, chegou a disponibilizar as passagens em seu site por algum tempo, como falamos aqui. Mas as vendas não avançaram e os voos foram retirados dos sistemas de reservas, embora seja comum constatar no FlighRadar24 que eles vêm ocorrendo de maneira esporádica.

Por sua vez, a Mahan Air, do Irã, também tem operado ligações com a Venezuela, mas com uma frequência maior.

Além de alguns voos para Caracas, a empresa aérea iraniana fez uma grande série de voos para a pequena cidade venezuelana de Punto Fijo, onde fica uma das maiores refinarias de petróleo do nosso vizinho do norte. A motivação dos voos não foi confirmada, mas acredita-se que o Irã esteja apoiando o aumento da produção de gasolina, escassa atualmente na Venezuela, embora ela seja o país com as maiores reservas de petróleo do mundo.

Vendo tudo isso, e dada a baixa transparência das operações, o Secretário de Estado Americano, Mike Pompeo, passou a afirmar que estes voos estão trazendo suprimentos para o regime de Maduro, na Venezuela, contornando sanções impostas e fomentando práticas espúrias. Ele, então, começou a atacar novamente as operações.

A340 da Conviasa partindo de Teerã

“Nós últimos dias, diversos aviões pertencentes à Mahan Air trouxeram muito apoio para o regime de Maduro. É a mesma companhia aérea terrorista que o Irã utilizou para levar armas pelo Oriente Médio”, afirmou o político americano.

Para Pompeo, os voos devem parar e, para isso, emitiu uma carta pedindo aos países aliados e amigos que proíbam o sobrevoo das aeronaves para tornar o voo inviável tecnicamente.

No entanto, isso não será fácil. Ao analisar a rota e olhando os últimos voos no FlightRadar24, dá para conferir que o avião sobrevoa majoritariamente países do Mediterrâneo, como Chipre, Grécia, Malta, Tunísia, Argélia e Marrocos, antes de chegar no espaço aéreo internacional sobre o Oceano Atlântico.

Destes países, os mais próximos dos EUA são a Grécia e Malta e, ainda que esses decidam impedir a passagem da aeronave, ainda assim a rota poderia ser facilmente desviada para a Líbia, tornando a ideia de Pompeo bastante difícil de se operacionalizar.

Vale lembrar que os EUA já sancionaram a Mahan Air e a Conviasa por conta das suspeitas sobre sua carga. As empresas são proibidas de voar para os EUA e não podem fazer negócio com qualquer empresa americana.

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Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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