Mais uma europeia no prejuízo, Brussels Airlines cortará frota e empregos

A Brussels Airlines deve implementar uma estratégia de redução de três anos para conter perdas e alcançar rentabilidade sustentável, informou o Flight Global.

Avião Airbus A330 Brussels Airlines
Airbus A330 – Imagem: Brussels Airlines

“A companhia aérea cresceu muito nos últimos anos, mas o lucro não acompanhou”, disse a subsidiária da Lufthansa. “Precisamos dar um passo atrás para nos permitir crescer no futuro.”

Tendo colocado em prática uma avaliação da sua malha de voos e de sua frota para ver onde reduções podem ser feitas, a empresa aérea belga tem como meta uma margem de lucro sustentável de 8% até 2022.

A companhia reconhece que o corte de suas operações implicará em cortes de empregos, mas não forneceu números. Houve discussões com sindicatos de funcionários, e a Brussels está buscando por funcionários interessados em demitirem-se voluntariamente.

A medida segue uma investigação interna de quatro meses sobre como a lucratividade pode ser restaurada, um processo iniciado em junho quando foi anunciado que a Brussels Airlines não se integraria mais à subsidiária da Lufthansa, a Eurowings.

Os dados de frota do Flight Global mostram que a companhia aérea opera uma frota de 42 jatos da família Airbus A320, além de 15 Airbus A330, um A340 e cinco CRJs da Bombardier. Sua rede de rotas consiste em 72 destinos na Europa, 23 na África, três na América do Norte e um no Oriente Médio. Nos últimos anos, apenas registrou lucros esporadicamente.

Balada a bordo da Brussels

O festival Tomorrowland realizado na cidade de Boom, na Bélgica, reúne 400 mil fãs da música eletrônica (EDM) de todo o mundo, inclusive do Brasil.

Na última edição, entre as dezenas de voos que a Brussels realiza para o público do festival, 11 tiveram DJ a bordo para deixar a galera no clima da Tomorrowland. Um destes voos foi no Amare, o Airbus A320 pintado especialmente para o festival.

Depois, na hora de ir embora, a Brussels inclusive oferece um balcão de despacho de bagagem na saída do festival, não sendo necessário para o passageiro carregar sua bagagem e tendas do festival para o aeroporto.

Sequência de falências na Europa

A Europa vem passando por uma sequência de falências de companhias aéreas nos últimos meses, tendo a onda de quebras sido atribuída a diversos fatores, sem um consenso sobre qual seria o principal.

Algumas empresas culpam o crescimento das Low Costs (companhias de baixo custo), outras consideram o esfriamento da economia europeia por conta da intensificação das guerras comerciais pelo mundo, e há ainda os crescentes movimentos pró meio ambiente lutando para que os viajantes troquem aeronaves por transportes terrestres dentro da Europa.

Apenas para citar alguns casos, assistimos recentemente às falências da islandesa WOW Air, da alemã Germania, da dinamarquesa Primera Air, e das inglesas flybmi e Thomas Cook, tendo essa última gerado a enorme operação de repatriação de turistas britânicos que ficaram abandonados pelo mundo:

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.