A evolução das 3 grandes empresas aéreas do Brasil, do início da Covid ao presente

São amplamente divulgadas e conhecidas as tendências de demanda da aviação comercial mundial ao longo da crise do setor de viagens aéreas, gerada pela eclosão da pandemia da Covid-19.

O mundo todo viu uma estrondosa queda no número de pessoas viajando no início de 2020, em parte pelas restrições de fronteiras e em parte pelos lockdowns e medo de contaminação pelo coronavírus. Depois, houve uma recuperação principalmente dos mercados domésticos, mas, a nova onda da Covid levou os resultados para uma nova queda ao final de 2021, menos intensa do que a primeira, mas ainda bastante significativa.

No Brasil, a chegada tardia da pandemia sempre deixou uma defasagem em relação à maior parte do mundo, de forma que o pior da primeira onda ocorreu em abril de 2020 e agora estamos no pior momento da segunda onda na aviação.

Mas, especificamente neste mercado doméstico brasileiro, como evoluíram os resultados operacionais das três grandes companhias aéreas? Como cada uma se posicionava antes da crise aérea, como estiveram durante o crítico 2020 e como estão na segunda onda da Covid-19 neste início de 2021?

Para responder a estas questões, fizemos um levantamento a partir dos resultados de tráfego da Azul Linhas Aéreas, da Gol Linhas Aéreas e da divisão brasileira da LATAM Airlines, começando em janeiro de 2020, quando a pandemia ainda chegava ao Brasil, e seguindo até os dados mais recentes, de abril de 2021.

Avião Boeing 737-800 Gol

Avião Airbus A320 LATAM

A análise diz respeito apenas às viagens domésticas, uma vez que uma avaliação do mercado internacional não faria sentido, pois a Gol não retomou voos ao exterior e a LATAM divulga somente dados internacionais consolidados de todo o grupo, e não individualmente por cada país.

Veja a seguir os resultados de oferta e demanda domésticas individuais de cada uma das três companhias, e depois, a evolução relativa entre elas. Será que houve muitas inversões na corrida pela liderança do mercado nacional brasileiro? Confira!

Oferta e Demanda Individuais

Os três gráficos a seguir apresentam a evolução dos dados de tráfego para oferta e demanda de cada uma das três empresas no mercado doméstico brasileiro.

A oferta é dada em bilhões de ASKs, ou seja, em assentos disponíveis nos voos vezes os quilômetros voados. A demanda é dada em bilhões de RPKs, ou seja, em passageiros pagantes nos voos vezes número de quilômetros voados.

A diferença entre as linhas de ASKs e RPKs de cada gráfico oferece a noção da evolução da taxa de ocupação dos voos de cada empresa, afinal, quanto mais próximas estão as linhas, mais o número de passageiros voando se aproxima do número de assentos disponíveis. Assim, a diferença também apresenta uma noção de como cada empresa se saiu em administrar suas ocupações, ao cortar sua oferta para acompanhar a baixa demanda.

Observando-se isoladamente cada empresa, nota-se que as três tiveram comportamentos bastantes similares, totalmente balizados pela demanda do mercado. A Gol se saiu ligeiramente melhor em administrar seus cortes de voos para manter sua curva de oferta ASK mais próxima à de demanda RPK.

Mas qual será o resultado destas evoluções individuais para a posição de cada uma das três em relação às outras duas?

Oferta e Demanda Comparativa

Consolidando-se os resultados de tráfego doméstico das três maiores empresas brasileiras em um mesmo gráfico, nota-se com clareza como cada uma subiu ou desceu entre as três posições na oferta de assentos-quilômetros (ASKs) e na demanda de passageiros-quilômetros (RPKs).

Veja a seguir no primeiro gráfico a oferta das três companhias, e logo na sequência, a demanda de todas elas no segundo gráfico.

Ambos os gráficos permitem notar que:

– a Gol Linhas Aéreas era a líder de mercado no início da crise e conseguiu retomar a liderança até com mais folga logo depois do pior período da primeira onda, porém, nos meses mais recentes da segunda onda em 2021, desceu gradativamente até a última posição;

– a Azul Linhas Aéreas estava bem abaixo das duas outras antes da crise, colocou-se em primeiro lugar imediatamente após o pior mês da primeira onda, depois retornou ao último lugar ao longo de 2020, mas manteve-se muito mais próxima das concorrentes do que antes da crise. No auge da recuperação em janeiro de 2021, superou a LATAM, e então assumiu a liderança do mercado nos meses mais recentes;

– a LATAM Brasil mantinha-se próxima da Gol desde antes da crise até o pior mês da primeira onda, depois ficou em último lugar por alguns meses, superou a Azul por todo o segundo semestre de 2020, mas voltou a ficar na lanterna em janeiro deste ano. Retornou à segunda posição nos dados mais recentes em decorrência da queda acentuada da Gol.

Assim, percebe-se claramente que nos dois piores momentos da crise aérea a Azul assumiu a liderança de tráfego no mercado nacional, enquanto a Gol esteve na ponta antes da crise e no melhor momento da recuperação até a chegada da segunda onda do coronavírus.

Na sua opinião, o que acontecerá na próxima recuperação de mercado? Quais serão as posições ocupadas por cada uma das companhias?

Com informações de tráfego da Azul, da Gol e da LATAM Airlines

Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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