Exclusivo: Documento mostra estudo de ampliação do número de voos em Congonhas

EXCLUSIVO – Como parte dos procedimentos que antecedem ao leilão da Sétima Rodada de Concessão de Aeroportos, previsto para o primeiro semestre do próximo ano, a Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC) solicitou estudos de análise de viabilidade de aumento de capacidade de pista dos Aeroportos de Congonhas e Santos Dumont. O objetivo da SAC é conferir maior previsibilidade aos futuros concessionários, enquanto defende que a medida trará ganhos operacionais para todo o sistema.

Um documento obtido pelo AEROIN, com exclusividade, mostra quais foram os cenários apresentados pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) à SAC, em abril de 2021, que poderiam elevar, imediatamente, a quantidade de voos dos atuais 48 para até 56 movimentos por hora em Congonhas.

Os ganhos no Santos Dumont são imateriais.

Os cenários

Foram elaborados seis cenários com diferentes configurações operacionais (cinco para o aeroporto de Congonhas e um para o aeroporto Santos Dumont), que consideraram um mix homogêneo de aeronaves, com categoria de velocidade empregada na aproximação final “C”, de acordo com o DOC 8168 (PANS-OPS) da OACI.

Outras limitações operacionais também foram consideradas, assim como situações em que a pista principal não encontra-se totalmente operante (80% da capacidade). Além disso, o DECEA considerou duas hipóteses sugeridas pela SAC:

1) alteração do ponto de espera e da barra de parada no aeroporto
de Congonhas da Taxiway Echo para a Mike; e

2) restrição de acesso ao aeroporto a aeronaves com códigos de referência “C” (por exemplo – Boeing 737, Airbus A320, Embraer E195) ou segundo o RBAC 154, e/ou outras ações que, na visão do DECEA, colaborariam com o aumento da capacidade para os aeroportos de Congonhas e Santos Dumont, sem afetar a segurança operacional.

A partir da análise, constatou-se aumento de capacidade em Congonhas em três cenários, como mostra o documento abaixo.

Capacidade aumentada

Como se nota, o número de movimentos por hora poderia ser imediatamente ampliado a até 55/56 por hora nos cenários 1, 3 e 5.

No cenário 1, em que se mantém exatamente o mesmo mix de aeronaves que hoje opera em Congonhas, haveria, na prática, a disponibilização de mais 7 slots por hora.

Nos cenários 3 e 5, consideram-se apenas aeronaves da Categoria “C”, com velocidade de aproximação entre 115 e 160 nós. Nesse caso, o ganho seria imaterial para com relação ao cenário anterior, com ganho de um movimento a mais por hora.

Importante considerar que esse cálculo considera a capacidade de pista, ou seja, há necessidade da operadora verificar se o terminal de passageiros tem capacidade de operar esses slots a mais por hora.

Por fim, dois outros cenários (2 e 4) para Congonhas foram considerados, os quais consideravam o deslocamento do ponto de espera da pista 17R para a taxiway MIKE. No entanto, esses cenários foram desprezados porque não haveria ganho operacional e nem se safety com tal mudança.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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