A experiência a bordo do primeiro voo da Azul Conecta com passageiros

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Como você provavelmente acompanhou hoje no AEROIN, estivemos no Aeroporto de Jundiaí (SP) para conferir o lançamento da nova empresa aérea regional brasileira, a Azul Conecta, nova subsidiária da Azul Linhas Aéreas. Agora, trazemos a você não apenas mais detalhes dessa novidade, mas também a experiência de estar a bordo do primeiro voo com passageiros da história da empresa regional.

A jornada começou com a expectativa da chegada, no hangar da TwoFlex (empresa comprada pela Azul), das duas aeronaves que estreariam a pintura da Azul Conecta. Cerca de 15 minutos antes do pouso, o caminhão de bombeiros do aeroporto se posicionava para efetuar um batismo com jatos de água.

A chegada dos monomotores

Com o hangar repleto de executivos da Azul e da TwoFlex, tripulantes, convidados e imprensa, finalmente chegaram os dois turboélices, pousando às 10:27 e 10:28. O primeiro deles foi o avião de matrícula PT-OZA, um Cessna C208B Caravan cargueiro nas cores da Azul Cargo. O segundo foi o PT-MEM, esse sim o Cessna Caravan na versão de passageiros que me levaria para um voo a convite da companhia aérea.

Muitos foram os aplausos e elogios de todos ao verem como caíram bem as pinturas Azul Conecta nas aeronaves regionais.

Aeronaves recebidas com batismo, estacionadas em suas posições, motores cortados, era hora da liberação para os presentes se aproximarem e conhecerem por fora e por dentro os novos aviões da Azul. A TwoFlex já operava uma frota de 17 aviões deste modelo, que agora integram a nova Azul Conecta.

Discursaram, em frente aos aviões, o Diretor Presidente da Azul Conecta, Flávio Costa, o Presidente da Azul Linhas Aéreas, John Rodgerson, e o Secretário Nacional de Aviação Civil, Ronei Glanzmann.

Todos destacaram a importância que a divisão sub-regional da empresa terá ao atender cidades de menor porte no interior dos estados brasileiros. São cidades cujo porte não justifica a criação de uma infraestrutura para aviões maiores como os ATR-72, mas que também precisam do transporte aéreo, viabilizado então por modelos como o Caravan.

Flávio Costa, John Rodgerson e Ronei Glanzmann

Após as apresentações oficiais, era hora da experiência a bordo. Os C208B são configurados para 9 passageiros dispostos em configuração de três fileiras, contando com um assento do lado esquerdo e dois do lado direito.

Todos os assentos contam com saída de ar e luz de leitura individuais no teto, conforme você pode notar nas imagens a seguir.

Assim como nas aeronaves de maior porte da aviação comercial, no bolsão do assento à frente cada passageiro encontra o Safety Card, um cartão com as instruções de segurança relacionadas à evacuação em caso de emergência.

Sobre cada assento havia uma garrafinha de água e um dos tradicionais snacks do serviço de bordo da Azul. Vale lembrar que, devido ao tamanho da aeronave, não há comissários de bordo. Apesar disso, o voo no Caravan proporciona uma interessante experiência de voar em contato direto com os pilotos, como se você estivesse dentro do cockpit.

Por incrível que possa parecer, o interior do pequeno Caravan configurado com essa capacidade resulta em um espaço para o viajante que é maior do que aquele que encontramos nos cada vez mais apertados interiores nos aviões comerciais.

Por outro lado, não há bins na parte superior para acomodação de bagagens, de forma que malas de passageiros devem ser colocadas no bagageiro ao fundo da aeronave e no compartimento localizado na barriga do Cessna.

Pronto para partir

Tudo pronto, com os dois pilotos e 9 passageiros a bordo do PT-MEM, o comandante Santos passa as instruções de segurança (divulgamos mais cedo o vídeo, você pode rever clicando aqui). Na sequência, partimos para a cabeceira 36 do aeroporto de Jundiaí.

A corrida de decolagem consome pouco mais do que metade da pista, que tem 1400 metros de comprimento e, assim que tira seus pneus do solo, às 11h35, o Caravan sobe com muita facilidade. Uma curva à direita em direção a Atibaia e, 3 minutos após partirmos do aeroporto, que fica 2.100 pés (640 metros) acima do nível do mar, estabilizamos na altitude de 4.200 pés (1.280 metros).

A posição alta da asa da aeronave permite um agradável passeio panorâmico, permitindo contemplar detalhes em solo. Até mesmo no caso de voos mais longos, feitos a altitudes maiores do que a nossa, a visão ainda é bem mais interessante do que aquela a bordo de aviões maiores.

O percurso do voo – Imagem: FlightRadar24

Cerca de 12 minutos após a partida, curvamos à direita de volta ao rumo de Jundiaí para o retorno. É verdade que o Caravan, por ser de menor porte, é mais suscetível a instabilidades em voo. Porém, mesmo voando próximo da hora do almoço, na qual geralmente os voos são mais instáveis por questões atmosféricas, a experiência foi muito agradável.

O pouso pela mesma cabeceira 36 ocorreu às 11h57, com um toque bastante suave, e então taxiamos de volta para o pátio do hangar da TwoFlex, encerrando este que foi o primeiro voo com passageiros de uma aeronave Azul Conecta.

Bônus no simulador

Depois do término da experiência real, ainda havia um bônus. Uma visita ao simulador de voo Red Bird que a TwoFlex adquiriu em 2018 e agora passa à Azul Conecta.

O comandante, instrutor e checador Fabiano explica que o simulador foi homologado junto à ANAC para que cerca de metade da carga horária do treinamento dos pilotos de Caravan seja feita em solo, resultando em uma significativa economia de custos de horas de voo que já mais do que compensou o valor da aquisição do equipamento.

Ali, todas as emergências podem ser simuladas para treinar os pilotos, e tudo é controlado pelo instrutor ao toque da tela de seu celular, colocando ou tirando panes durante o voo.

Faço um circuito de voo simulado com o Cessna Caravan no Aeroporto de Viracopos e encerro essa interessante experiência sobre a última novidade da aviação brasileira, agradecendo à Azul pelo convite e o apoio fornecido durante este dia.

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Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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