FAA diz ainda não ter data para reinício dos voos de certificação do 737 MAX

O membro sênior da FAA dos EUA, Steve Dickson, indicou que o Boeing 737 MAX poderia iniciar voos de certificação dentro de algumas semanas, embora alguns problemas com a aeronave ainda precisem ser resolvidos.

Avião Boeing 737 MAX 8 Linha Produção

Durante um briefing na embaixada dos EUA em Londres, em 6 de fevereiro, ele enfatizou que “não havia prazo” para devolver a aeronave ao serviço. “Não acho útil chegar aqui com prazos”, diz ele. “Há um processo que estamos seguindo e, à medida que avança, é importante que nossas equipes técnicas continuem focadas”.

Ele diz que tem “encorajado” seu time a evitar anúncios públicos e, em vez disso, uma concentração em envios “completos e detalhados” de dados e propostas para lidar com questões pendentes.

“Há várias questões que conseguimos concluir nas últimas semanas, mas há vários outros itens que precisam ser concluídos antes do próximo marco significativo”, diz ele, referindo-se aos voos de certificação.

A auditoria do software está concluída, mas pequenos ajustes precisam ser feitos em sistemas específicos. Dickson acrescenta que “várias abordagens diferentes” também podem ser adotadas para resolver um problema de cabeamento.

Ele diz que o início dos voos de certificação – que ele acha que poderia ocorrer nas “próximas semanas”, dependendo das propostas da Boeing – pode não precisar necessariamente de uma resolução completa desses pontos para serem iniciados.

Sem data para o MAX

Embora seja provável que a Boeing esteja discutindo cenários de retorno ao serviço com os clientes do 737 Max, Dickson diz que essas conversas e anúncios públicos são “duas coisas diferentes”.

“Não quero criar expectativa ou pressão sobre a FAA ou sobre a Boeing”, diz ele. “É importante que eles tenham os recursos e o suporte para poder concluir esse processo.”

Dickson reconhece que havia “lacunas” no desenvolvimento e na certificação originais do 737 Max. “Havia suposições de engenharia que foram colocadas no processo que precisavam ser revisadas”, diz ele. “Mas lembre-se, o design do avião não foi o único fator nesses acidentes.”

Ele aponta os problemas humanos de desempenho e manutenção e diz que os reguladores “precisam prestar contas” das operações em várias regiões. “Precisamos trabalhar em conjunto com reguladores em todo o mundo para garantir que, em todos os aspectos, como treinamento de pilotos, experiência, certificação de operadores, continuemos a elevar a barra”, diz ele. “Porque todas essas coisas são interdependentes.”

Ele diz que a FAA sentiu a “responsabilidade” após os acidentes envolvendo o MAX e seu subsequente aterramento. “Certamente vamos pegar algumas das lições aprendidas e aplicá-las a aviões atualmente em desenvolvimento, como o 777X”. Ele cita a criação de um conselho consultivo técnico como exemplo de tais medidas.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.