FAA detalha as etapas a serem cumpridas para a liberação do Boeing 737 MAX

O chefe da Administração Federal de Aviação dos EUA, Steve Dickson, estabeleceu os marcos que devem ser atingidos ​​antes que o Boeing 737 Max possa retornar ao serviço. “

O voo de certificação e, em seguida, a avaliação detalhada dos seus parâmetros, são realmente os próximos grandes marcos”, disse Dickson durante uma entrevista no show aéreo de Cingapura. No entanto, o teste de voo ainda não foi agendado. Entenda os motivos.

Problemas a resolver

Ao detalhar os assuntos a serem resolvidos, Dickson menciona inicialmente um problema com a luz do compensador (trim): “não é um problema com o software em si, mas essa luz que sempre tende a piscar no painel quando a compensação é feita”. Está ocorrendo em momentos inadequado, em que não faz sentido e isso está sobrecarregado os pilotos com dados desnecessários. Ele acrescenta: “Abordaremos isso em questão de alguns dias”.

Em referência à questão do cabeamento do Max, Dickson diz: “A Boeing ainda não nos deu uma proposta sobre isso. Vamos ver até que ponto esses problemas são comuns com o 737NG “. Depois que o voo de certificação estiver concluído e os dados analisados, a validação operacional continuará.

Treinamento

Partindo para o tema do treinamento, ele diz que a Boeing fez uma proposta de treinamento de pilotos que a FAA avaliará. Dickson também é piloto de 737, ele disse: “Meu vice, Dan Elwell, completará o treinamento e  eu também vou concluí-lo, antes de pilotar o avião ”, diz Dickson. “Então, vamos dar uma olhada a fundo nesse tema”.

Mas ele acrescenta: “Não queremos colocar o dedo na balança. Neste momento, não é uma questão de aceitar ou não a proposta da Boeing”, enfatiza Dickson. “Temos um processo formal de certificação a ser executado que nos dará a resposta.” Esse processo levará até 10 dias, diz Dickson. Uma emenda será feita ao relatório do Flight Standardization Board (FSB) – que levará mais “alguns dias” – e isso será postado para comentários do público por 15 dias.

“Do começo ao fim, o processo de relatório do JOEB [Conselho Conjunto de Avaliação de Operações] e do FSB é de aproximadamente 30 dias, e isso deve acontecer antes do voo de certificação.”

Certificação

Os processos subsequentes incluem a documentação final do projeto e o relatório do conselho consultivo técnico. A FAA também deve considerar as respostas do público à lista principal de equipamentos mínimos que está em discussão desde 5 de dezembro, antes de chegar ao estágio de emitir uma notificação de aeronavegabilidade à comunidade internacional – com aviso de ações pendentes – e uma diretiva de aeronavegabilidade, aconselhando os operadores sobre as ações corretivas necessárias.”Revogaremos a ordem de aterramento dentro de um ou dois dias depois”, diz Dickson.

Após a emissão dos certificados de aeronavegabilidade, as companhias aéreas dos EUA precisarão obter seus programas de treinamento aprovados pela FAA.

A FAA está “seguindo um processo muito diligente”, diz ele, acrescentando: “É importante mantermos o foco no processo e não em uma linha do tempo”. Ele promete que o Max, ao retornar ao serviço, será “a aeronave mais examinada da história”. A FAA também impõe a exigência de que todo operador Max em todo o mundo realize um voo de validação sem passageiros.

Dickson também esboça como todo o processo pode afetar a regulamentação futura: “As lições aprendidas levarão a uma abordagem item a item mais holística do que a tradicional – não apenas nos EUA, mas em todo o mundo, onde iremos integrar de maneira mais eficaz as considerações sobre fatores humanos em todo o processo de projeto, à medida que as aeronaves se tornam mais automatizadas e os sistemas mais complexos. ”

Carlos Roman
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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