FAA multará Boeing por ter instalado peças sabidamente defeituosas nos 737NG

A Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos anunciou nessa sexta-feira, 06 de dezembro, que pretende impor uma multa de US$ 3,9 milhões à Boeing, alegando que a fabricante não impediu a instalação de peças defeituosas em cerca de 130 unidades dos aviões 737NG.

Avião Boeing 737NG
Boeing 737-800

Segundo informações da Reuters, a FAA alegou que a Boeing “falhou em supervisionar adequadamente seus fornecedores para garantir que eles cumprissem o sistema de garantia de qualidade da empresa”, e que “a Boeing submeteu conscientemente as aeronaves à certificação final de aeronavegabilidade da FAA após determinar que as peças não poderiam ser usadas devido a uma falha no teste de resistência.”

Em comunicado divulgado na sexta-feira, a Boeing não admitiu responsabilidade, mas disse estar ciente das preocupações da FAA. “Estamos trabalhando em estreita colaboração com nossos clientes para tomar as ações corretivas apropriadas”, disse o porta-voz Charles Bickers.

A empresa tem 30 dias para responder, pagando a multa ou contestando-a. A Boeing disse que revisaria a penalidade.

A FAA divulgou em junho que 300 aviões NG e 737 MAX poderiam conter peças fabricadas incorretamente e disse que exigiria que essas peças fossem substituídas rapidamente.

Avião Boeing 737 MAX 8 Linha Produção
Boeing 737 MAX 8 na linha de produção

A multa anunciada na sexta-feira refere-se apenas aos componentes dos aviões NG, informou a FAA, mas continua em análise a questão no que diz respeito ao MAX. O NG é o 737 de terceira geração que a fabricante começou a construir em 1997 e está encerrando a produção neste ano de 2019.

As partes em questão são trilhos que ficam no bordo de ataque das asas, e são usadas para guiar o movimento dos slats, que se defletem para proporcionar sustentação adicional durante a decolagem e aterrissagem. O problema pode resultar no desprendimento de um slat, atingindo outras partes do avião e impedindo uma aterrissagem segura.

A FAA disse que a falha de supervisão da Boeing “resultou na instalação de partes que foram enfraquecidas por uma condição conhecida como fragilização por hidrogênio que ocorreu durante o revestimento de cádmio-titânio”.

A Boeing reiterou na sexta-feira que não havia sido informada de nenhum problema em serviço relacionado ao lote de peças em questão. Acrescentou que “todos os 737NG afetados foram inspecionados e todas as instalações das peças determinadas foram concluídas nos NG como necessário”.

O histórico de segurança da Boeing está sendo criticado por alguns no Congresso dos Estados Unidos, assim como a certificação da FAA para o 737 MAX, que está suspenso de voar desde março, depois que dois acidentes fatais mataram 346 pessoas.

A Boeing afirmou que garantirá “todas as inspeções e substituições de peças necessárias em todos os 737 MAX antes de retornarem ao serviço”.

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.