FAA propõe nova multa à Boeing por instalar sensores não aprovados nos 737 NG e MAX

A Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos anunciou que pretende multar a Boeing em US$ 19,68 milhões pela instalação de sensores que, segundo a agência, podem não ser compatíveis com outro sistema de instrumentos dos jatos 737 NG e 737 MAX.

Cockpit avião Boeing 737-800 737NG
Boeing 737-800 (737 NG) – Imagem: Alex Beltyukov [CC]

Os sensores possibilitam que os pilotos usem sistemas “heads-up display”, ou seja, que exibem altitude, velocidade e outras informações em uma tela de vidro na frente da visão, para que eles vejam os dados olhando para o para-brisas, sem precisarem olhar para baixo.

Exemplo de display que permite ao piloto ver as informações sem olhar no painel

A FAA notificou a Boeing sobre a multa proposta nessa sexta-feira (06) e deu à empresa 30 dias para pagar ou responder às alegações. Os sensores em questão foram instalados em quase 800 aviões.

A agência reguladora disse que eles foram instalados em sistemas “heads-up display” de 618 aviões Boeing 737 NG entre junho de 2015 e abril de 2019 e em 173 jatos Boeing 737 MAX de julho de 2017 a março de 2019.

“Apenas documentação”

A Boeing disse que está em cooperação com a FAA sobre o caso, e que o assunto envolve apenas documentação de peças, e não é um problema de segurança.

Os sistemas envolvidos são fabricados pela Rockwell Collins, e a Boeing não teria conseguido verificar se os sensores estavam listados como intercambiáveis para estarem aprovados para instalação.

Sem comprovação

A FAA disse que eles não foram testados ou aprovados como compatíveis com os demais sistemas de orientação da Rockwell Collins e que a Boeing aparentemente violou os regulamentos federais e suas próprias políticas.

Desde dezembro, a FAA propôs mais de US$ 9 milhões em multas contra a Boeing por instalar peças não conformes nos jatos MAX e NG.

As multas estão entre as maiores que a FAA cobrou, no entanto, são insignificantes em comparação com as perdas financeiras da Boeing relacionadas aos acidentes do 737 MAX na Indonésia e na Etiópia. Em janeiro, a Boeing disse que os custos relacionados à solução do MAX e à compensação de companhias aéreas e famílias de passageiros superariam US$ 18 bilhões.

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.

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