FAA vai multar Boeing em US$ 1,3 mi por irregularidades com o 787

Imagem: Josh Drake / Divulgação Boeing.

A Federal Aviation Administration (FAA) dos EUA informou na quarta-feira (5) que deve multar a Boeing em US$ 1,3 milhão por supostas irregularidades em sua linha de montagem do 787 Dreamliner em Charleston, na Carolina do Sul

A FAA disse em um comunicado à imprensa que propôs duas sanções contra a Boeing pelo que descreveu como “supostas violações no programa que permite ao fabricante desempenhar determinadas funções em nome da FAA”, a chamada auto-certificação. As violações teriam ocorrido entre 2017 e meados de 2019.

Auto-certificação

Esse programa permite que a FAA delegue funções reguladoras de segurança aérea para o fabricante e para seus próprios trabalhadores, incluindo a inspeção de aeronaves e a emissão de certificados de aeronavegabilidade.

A FAA alega que gerentes da Boeing exerceram pressão indevida ou interferiram no trabalho dos designados pela agência na fábrica da empresa na Carolina do Sul. A FAA disse que entre novembro de 2017 e julho de 2019, funcionários de duas unidades da Boeing reportaram que gerentes não-autorizados pela agência, estavam em cargos de confiança, responsáveis pela auto-certificação. A agência diz que a Boeing falhou em garantir que esses trabalhadores estivessem “em posição de representar efetivamente os interesses da FAA”.

Para completar, a autoridade da aviação americana alega ainda que entre setembro de 2018 e maio de 2019, os gerentes da Boeing com sede em Chicago “exerceram pressão indevida ou interferiram nas ações dos membros da unidade designados pela FAA como responsáveis pelo processo de auto-certificação”, num típico caso de conflito de interesses. As pressões indevidas interferiram na inspeção de aeronavegabilidade de um Boeing 787-9″.

Em ambos os casos, segundo a FAA, os funcionários cumpriram suas responsabilidades de garantir que as aeronaves estivessem em condições de operação segura antes da emissão de seus certificados de aeronavegabilidade, apesar da alegada pressão ou interferência indevida dos outros gerentes da Boeing.

A FAA deu à Boeing 30 dias para responder, antes de executar as multas.

Em uma declaração, a Boeing disse que as sanções propostas pela FAA representam “um lembrete claro e forte” das obrigações de segurança da empresa sob os programas de autoridade delegada. “Pressão indevida de qualquer tipo é inconsistente com nossos valores e não será tolerada. Em ambos os casos, as alegações foram adequadamente relatadas, investigadas e divulgadas à FAA”. A Boeing diz que implementou ações corretivas em resposta a ambos os incidentes.

Em resumo

Toda essa história envolvendo a Boeing e as más práticas para com relação à auto-certificação de suas aeronaves somente mostram que esse processo não funciona, sobretudo por conta do enorme montante envolvido nessa indústria e do conflito de interesses. O resultado todos conhecem: dois acidentes trágicos, com quase 350 vítimas.

Embora a nova gestão esteja comprometida em fazer a coisa certa, é difícil garantir que isso perdure com o passar dos anos. O ideal é que exista um avaliador, independente de fato.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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