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FAB desiste de alugar Boeing 767, mas não dá fim ao plano de substituir o 707

A Força Aérea Brasileira (FAB) comunicou que desistiu de vez de alugar um Boeing 767 para missões VIP e de transporte, após uma investigação do TCU.

A Comissão Aeronáutica Brasileira em Washington (CABW) informou que revogou o processo de licitação para o aluguel de um jato 767, que iria ocupar o espaço deixado pelo C767 de matrícula FAB2900 que operou por alguns anos na força, deixando a frota da FAB em maio de 2019.

Histórico atribulado

Em 2018, o CABW, antecipando a saída do FAB2900, chegou a abrir uma licitação para compra de um Boeing 767, como noticiamos com exclusividade aqui. Essa licitação foi iniciada com orçamento de US$30 mi e vencida pela ARIA, que ofereceu US$28 milhões pelo contrato, cancelado logo em seguida.

Já no ano passado, foi aberta uma licitação de aluguel após o cancelamento desta anterior, com orçamento de US$39 milhões para o leasing, suporte logístico e de manutenção de um 767-300ER.

Como o valor para o aluguel de três anos era superior ao da licitação de compra, que foi cancelada, a ARIA foi até a justiça questionar a decisão, e desde então o aluguel estava suspenso por decisão do Tribunal de Contas da União.

Futuro do projeto C-X2

Agora, a própria FAB decidiu cancelar a licitação e colocou cinco justificativas para a decisão:

  1. O recebimento do jato cargueiro Embraer KC-390 que aumentou a capacidade de transporte da Força, apesar de ter função diferente;
  2. A licitação de aluguel era para o caso da FAB não conseguir um jato de transporte no curto-prazo, e não uma solução final para o projeto C-X2, que foi feito para substituir a lacuna deixada pelo Boeing 707 (KC-137), aposentado em 2005;
  3. A pandemia gerou um impacto tremendo no setor aeronáutico, fazendo despencar preço de leasing de aeronaves, assim como aumentar a disponibilidade de aviões, dado o fechamento de diversas companhias aéreas ou redução de capacidade das mesmas, sendo uma realidade diferente de 2019, quando a licitação foi aberta;
  4. A própria pandemia causou um grande impacto no orçamento do governo, que teve queda na arrecadação e aumento de gastos, que não permitiria o aluguel de um jato;
  5. As projeções de orçamento para os próximos anos podem limitar a capacidade de investimento da FAB, e medidas são necessárias para adaptar à nova realidade, visando manter a força em sua capacidade operacional.

O projeto C-X2 foi aberto em 2012 para comprar de um par de jatos comerciais convertidos para reabastecimento em voo, com capacidade de transporte tático e VIP. A israelense IAI venceu a licitação, chegou a comprar a aeronave e iniciar sua conversão mas o plano foi para o ralo, como mostramos nesta matéria:

Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A