Falhas estruturais no Boeing 787 podem obrigar a inspeção de mais de 900 aviões

Um problema de montagem no Boeing 787 Dreamliner já paralisou o voo de um punhado de aeronaves, mas este número pode ser 112 vezes maior.

O número revelado pelo Wall Street Journal (WSJ) vem após surgirem informações que oito jatos 787 Dreamliner tiveram não conformidade durante sua montagem, resultado no enfraquecimento de parte da fuselagem, que é feita de fibra carbono.

O problema estaria numa seção de cruzamento das fibras de carbono, mais especificamente nas seções 47 e 48 da fuselagem, logo atrás da junção com as asas, onde dois tubos se encontram com uma divisória da fuselagem, que seria a ligação entre duas grandes seções do corpo da aeronave.

Estas partes da fuselagem afetadas podem falhar se submetidas ao estresse máximo previsto pelo manual. No caso, o problema ocorreu durante as correções que um robô faz automaticamente na fábrica: após a fibra de carbono ser “modelada e entrelaçada”, um robô escaneia a fuselagem para procurar pequenos “buracos”, que são preenchidos com enchimento do mesmo material de fibra de carbono original.

No entanto, os buracos não teriam sido preenchidos corretamente e, segundo a Boeing, um outro defeito de manufatura foi detectado na parte interna da fuselagem, que não estava lisa o suficiente e contava inclusive com algumas saliências, comprometendo a estrutura daquela área.

De início, apenas oito aeronaves teriam sido afetadas, que seriam das companhias aéreas Air Canada, United Airlines e Singapore Airlines, sendo pelo menos um dos aviões é um 787-10 desta última empresa.

Possível diretriz a caminho

Após surgir esta notícia de hoje, a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) começou uma investigação sobre os erros de produção por parte da Boeing. Um memorando interno do escritório de Seattle da FAA lista as pendências da agência na região responsável e, segundo o WSJ, este documento aponta que uma diretriz de aeronavegabilidade pode ser emitida e obrigar a inspeção de mais de 900 aeronaves Dreamliner produzidas desde 2011.

Este número seria 112 vezes maior do que a quantidade atual de aeronaves afetadas. Porém, o martelo ainda não está batido, e pende ainda de maiores informações a serem coletados pela FAA e revisões por parte da Boeing.

Tanto a FAA como a Boeing afirmaram que estão trabalhando para entender e corrigir o problema. Também foram reveladas outras empresas aéreas que tiveram aeronaves afetadas, incluindo a All Nippon Airways (ANA), Air Europa, Etihad Airways e a Norwegian Air.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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