Falhas dos motores do A320neo são culpa da IndiGo, aponta investigação

As companhia aéreas indianas IndiGo e a Go Air usam o mesmo tipo de motor fabricado pela Pratt & Whitney. No entanto, a IndiGo, uma das maiores clientes da Airbus no mundo, tem sido a única a encontrar falhas de apagamento de motor em voo neste ano, o que levou a uma profunda avaliação do regulador da aviação daquele país.

Avião Airbus A320neo IndiGo
A320neo da IndiGo – Imagem: Airbus

A IndiGo sofreu 13 paradas do motor relacionadas à turbina de baixa pressão durante subidas este ano, de acordo com uma das pessoas diretamente envolvidas na investigação, em que a DGCA realizou uma análise comparativa sobre como as duas companhias aéreas operam.

A questão tem sido cara. A DGCA disse nesta semana que toda vez que um novo avião se une à frota da IndiGo, ela deve retirar de serviço um A320neo que ainda não teve seus motores modificados. Isso essencialmente impede que a maior companhia aérea de baixo custo da Ásia, em valor de mercado, adicione novos voos até que o problema seja resolvido.

E as análises apontam que o motivo pode estar relacionado à forma como a empresa aérea opera. A Diretoria Geral de Aviação Civil da Índia (DGCA) disse à IndiGo que sua prática de acelerar os jatos A320neo com força máxima logo após a decolagem pode desgastar demais os motores, disseram à Bloomberg pessoas familiarizadas com o assunto.

Em contrapartida, a outra empresa Go Air – a quarta maior transportadora da Índia em participação de mercado – geralmente usa uma abordagem que aplica menos potência durante a subida, disseram as pessoas, pedindo para não serem identificadas discutindo um assunto privado.

Subir com potência máxima pode ajudar os aviões a queimar menos combustível. Isso porque o gasto maior na subida é compensado pelo maior tempo de voo em altitudes maiores, quando há mais economia pela menor resistência do ar.

Depois que a DGCA informou a IndiGo de suas descobertas, a empresa começou a tomar medidas para empregar um procedimento de subida semelhante ao da Go Air, disseram as fontes da Bloomberg.

Um porta-voz da Airbus disse que os aviões foram projetados para lidar com força total, mas é “uma prática recomendada” que os pilotos abaixem a potência enquanto sobem, para reduzir o estresse no motor.

A IndiGo ainda precisa substituir 110 motores dos 196 que foram afetados, disse o ministro da Aviação Civil da Índia, Hardeep Singh Puridisse, na última quarta-feira, 27 de novembro.

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.