Erro dos pilotos contribuiu para avião ATR72 da TAP bater com a cauda na pista em Fez

Autoridades portuguesas concluíram as investigações do incidente onde um ATR72 da TAP Express bateu com a cauda na pista do aeroporto. A investigação aponta para erro dos pilotos, informou o Jornal de Notícias.

TAP
Danos no ATR da TAP Express após o tailstrike

Em 6 de julho de 2019, um ATR 72-600 da TAP Express, operado pela terceirizada White Airways, cumpria a rota Lisboa – Fez, no Marrocos, quando o piloto comandou o nariz do avião muito para cima durante o pouso, ocasionando a batida da cauda do avião no solo. Essa foi a conclusão da investigação conduzida pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF).

Segundo a investigação, o avião já veio de uma aproximação desestabilizada, comandada pela primeira-oficial, com uma grande taxa de descida. Vendo o que se sucedia, o comandante interveio e puxou o manche de maneira repentina, o que resultou no chamado “tailstrike”, que é a batida da cauda na pista.

Embora o incidente, à época, observou-se que a aeronave de matrícula CS-DJG sofreu danos superficiais, tendo inclusive retornando voando para Lisboa no voo seguinte com passageiros.

Falta de experiência e correria

ATR da TAP Express, mesmo modelo que se envolveu no incidente

Segundo o relatório, a primeira-oficial tinha 268 horas de voo, sendo apenas 48 horas no ATR 72. Ela ainda estava sob a condição de ‘piloto em treinamento’, mas foi liberada dias antes do incidente para poder voar sem um terceiro piloto monitorando.

O GPIAAF responsabilizou a White e a TAP pela falta de treinamento adequado, além de ter liberado a piloto, mesmo que estivesse dentro dos mínimos de horas de voo para exercer a função sem acompanhamento. A agência reguladora portuguesa também foi responsabilizada pela falta de fiscalização e recomendações foram feitas para que o cronograma de treinamento seja revisto.

Pelo que indica o relatório, a primeira-oficial foi liberada para o voo sem acompanhamento devido à necessidade da companhia, que sofre com a falta de pilotos. A White atualmente conta com 8 aviões ATR 72, sendo 41 comandantes deste equipamento, mas apenas 28 copilotos, além de cinco em treinamento.

A taxa de comandante por aeronave é de 5 contra 3,5 de copilotos. Os comissários também estariam com a taxa de 5 para cada avião, revelando assim uma lacuna na posição de copiloto.

Outro fato que corrobora para a conclusão do órgão é que situações semelhantes já haviam acontecido antes. Em 2016, um piloto da companhia teve dificuldades ao pousar a aeronave, tendo realizado quatro toques antes de finalmente estabilizar a aeronave. Ele estava no seu sexto dia de trabalho consecutivo e sofria de fadiga.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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