Família do piloto do Boeing da Amazon que caiu acusa empresas de falta de segurança

Avião Boeing 767-300F Amazon Atlas
Boeing 767 da Amazon

Em 23 de fevereiro, o voo 3591 da Atlas Air caiu no Texas, matando os três a bordo. O Boeing 767-300F era utilizado para transportar cargas da Amazon em sua marca Prime Air, pelo crescente braço logístico da gigante do comércio eletrônico.

Os pilotos da Atlas Air, capitão Ricky Blakely, e o primeiro oficial Conrad Jules Aska, bem como o capitão da Mesa Airlines, Sean Archuleta, que estava viajando como passageiro, morreram no acidente.

E, incrivelmente, nas semanas anteriores ao acidente, os pilotos contratados pela Amazon Air disseram ao Business Insider que era provável a ocorrência de um acidente.

A família de Aska, que morreu aos 44 anos, afirma em um novo processo judicial que houve negligência da Atlas Air e da Amazon, bem como acusa que as empresas de manutenção F&E Aircraft Maintenance e Flightstar Aircraft Services possuem “culpa direta e próxima pela morte” do piloto.

A família está processando as quatro empresas em um processo movido em 19 de setembro na 11ª Corte do Estado da Flórida.

O que o processo alega

A Atlas Air, contratada para operar os aviões da Amazon Air junto com a empresa de carga aérea ATSG, empregava Aska. A empresa, de acordo com o processo federal “tinha a obrigação de manter e usar a aeronave em questão com o mais alto grau de cuidado, incluindo um dever não-delegado de garantir sua aeronavegabilidade, bem como exercer o mais alto grau de cuidado para evitar ferimentos de qualquer tipo”.

A companhia também falhou em garantir que os pilotos fossem bem treinados ou estivessem bem descansados, afirma o processo, que alega que a Amazon também desempenhou um papel nessas ações.

“A Amazon sabia ou deveria saber que sua história de sobrecarregar os pilotos e forçá-los a voar em condições fatigantes e com pouco tempo de descanso criaria um risco irracional de danos ou morte para pessoas, como o falecido, a bordo da aeronave”.

Um porta-voz da Atlas Air disse que a companhia aérea não comenta litígios.

“Continuamos com o coração partido pela perda do voo 3591 que matou a vida de dois pilotos da Atlas Air e um terceiro piloto de outra companhia aérea que era passageiro”, disse o porta-voz da Atlas Air ao Business Insider em comunicado. “Suas famílias continuam sendo a nossa principal prioridade”. A Amazon não respondeu a uma solicitação de comentários.

Ao mesmo tampo, o Conselho Nacional de Segurança em Transportes (NTSB), órgão de investigação de acidentes dos Estados Unidos, suspeita que um erro do piloto tenha causado o acidente fatal de fevereiro, em vez de mau funcionamento da aeronave.

O NTSB disse em 5 de março que o jato de carga Boeing 767-300 entrou em turbulência pouco antes da queda. Em seguida, os motores aumentaram para potência máxima causando, logo após, um pequeno aumento do ângulo de ataque (nariz para cima).

Isso “assustou a tripulação do cockpit”, segundo disseram várias fontes familiarizadas com os detalhes. A tripulação então tentou empurrar o nariz do avião para baixo, mas em um ângulo de 49 graus, em uma descida invulgarmente íngreme.

Amazon 767 Crash Site Texas
A aeronave ficou completamente destruída na queda

“Não consigo imaginar”, disse um piloto e ex-oficial de segurança da aviação nas forças armadas americanas ao Business Insider. “O que ocorreu parece-me tão errado – totalmente contrário aos meus instintos e treinamento. Eu chutaria o piloto automático e os aceleradores automáticos agindo rapidamente.”

A Atlas Air teve vários problemas operacionais apenas no ano passado

Ainda não se sabe qual foi a causa do acidente em 23 de fevereiro, mas a Atlas Air teve vários incidentes questionáveis ​​no ano passado.

Em outubro, um avião de carga Boeing 747 operado pela Polar Air, companhia subsidiária da Atlas Air, desviou-se da pista no aeroporto de Kentucky do Norte e parou no gramado.

Em julho, um Boeing 767 da Atlas teve um pouso duro no aeroporto de Portsmouth, em New Hampshire, e foram encontrados vincos ao redor da fuselagem e “danos substanciais à aeronave” na inspeção após o voo.

“É uma bomba-relógio”, disse o capitão Robert Kirchner, piloto da Atlas, ao Business Insider semanas antes do acidente.

Kirchner e outros pilotos da Atlas Air disseram que a empresa, que tem contrato com Amazon, DHL e outras transportadoras, tende a sobrecarregar seus pilotos.

“Eles não reconhecem a fadiga do piloto”, disse Kirchner. “Eles acham que as pessoas estão brincando. Temos que mostrar constantemente alguns desses horários. Noventa e nove por cento do tempo, somos capazes de provar a eles que esse é um cronograma fatigante”.

Os pilotos que voam para a Amazon Air estão travados em uma luta de três anos com seus empregadores para garantir um novo contrato de trabalho.

Informações do Business Insider.

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.