Fora de Dubai: as rotas no estrangeiro que a Emirates voa e vende passagens

A Emirates é uma companhia conhecida por ter presença global mesmo vindo de um país tão pequeno quanto os Emirados Árabes. Além de voos de longa distância usando Dubai como hub, a empresa aproveita-se das liberdades do ar para também fazer voos comerciais entre países estrangeiros.

Emirates

A empresa baseada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos é, provavelmente, a que mais utiliza a 5ª liberdade do ar, isso descontando as empresas aéreas dos países da União Européia que gozam desta liberdade por convenção interna do bloco.

Esta liberdade é estabelecida pela ICAO, agência especializada da ONU para a Aviação Civil, e permite que uma companhia aérea de um país faça voos regulares entre outros dois países distintos, podendo comercializar este voo.

Apesar de contar com aviões de grande alcance como o Boeing 777 e o gigante Airbus A380, estes aviões não conseguem voar totalmente lotados para qualquer lugar do mundo, já que, por vezes, a rota direta não tem demanda suficiente. É aí que entra o benefício da 5ª liberdade do ar, e que a Emirates usa muito bem.

O exemplo mais próximo nosso é o voo Dubai – Rio de Janeiro – Buenos Aires, onde a empresa emiradense tem permissão para vender passagens entre o Brasil e a Argentina. Para viabilizar isso, a Emirates precisou de autorização tanto do Brasil quanto da Argentina para garantir a 5ª liberdade.

Veja abaixo as outras rotas de 5ª liberdade que a empresa faz, seguida do seu avião e duração do trecho “estrangeiro”:

  • Sydney – Christchurch com o Airbus A380 em 3 horas
  • Melbourne – Cingapura com o Boeing 777 em 7h30
  • Brisbane – Cingapura com o Boeing 777 (terminou dia 30 de janeiro e foi trocado pela rota abaixo) em 7h30
  • Penang – Cingapura com o Boeing 777 em 1h30
  • Bangkok – Hong Kong com Airbus A380 para 615 passageiros em 3 horas
  • Bangkok – Phnom Penh com o Boeing 777 em 1h15
  • Auckland – Denpasar com o Boeing 777 em 9 horas
  • Atenas – Newark com o Boeing 777 em 11 horas minutos (dobro do trecho inicial Dubai – Atenas que dura 5h30)
  • Milão – Nova Iorque com o Airbus A380 em 9 horas
  • Acra – Abidjan com o Boeing 777 em 40 minutos
  • Harare – Lusaka com o Boeing 777 em 47 minutos
  • Conacri – Dacar com o Boeing 777 em 1h30 e é triangular: do Dacar o avião volta para Dubai e não para Conacri na Guiné
  • Rio de Janeiro – Santiago do Chile com o Boeing 777 em 4h30
  • Rio de Janeiro – Buenos Aires com o Boeing 777 em 3h40
  • Lárnaca – Malta com o Boeing 777 em 2h30
  • Malé – Colombo com o Boeing 777 em 1h30

E por último, o mais polêmico e longo voo da 5ª liberdade da Emirates:

  • Barcelona – Cidade do México com o Boeing 777

Há anos que a Emirates tenta realizar essa rota, que costumava ser barrada em decisões judiciais favoráveis à Aeromexico, que alegava que os subsídios do governo emiradense à Emirates tornaria a concorrência desleal.

Após várias reviravoltas e decisões judiciais favoráveis a ambos os lados, a Emirates finalmente conseguiu seu direito ao voo, iniciado em Dezembro de 2019.

A Emirates sempre alegou problemas técnicos para não fazer uma rota direta de Dubai, pois a Cidade do México está localizada a uma grande altitude – 2.230 metros acima do nível do mar. Soma-se a isso o clima seco e quente da cidade, causando o ar rarefeito que prejudica a performance dos motores das aeronaves e a sustentação da mesma.

São 12 horas e meia entre a capital catalã e a capital mexicana, em uma rota que já é feita pela Aeroméxico que não se convencia das alegações técnicas da Emirates (que são verdadeiras no final). Mas o voo está operando desde dezembro e vai muito bem segundo a companhia árabe, rainha da 5ª liberdade.

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos

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