O fracasso do gigante avião A380 tem motivos claros, revela ex-representante da Airbus

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Um dos mais importantes representantes de vendas da história da Airbus, o agora aposentado John Leahy revelou todos os motivos que, em sua visão, levaram ao fracasso o gigante avião A380.

Imagem: Emirates

Em entrevista ao Airline Ratings, John, que foi responsável pela venda de milhares de aviões da fabricante europeia, comentou sobre problemas em diversas esferas, desde o projeto até os motores.

Motores

Um dos principais fatores, senão o mais importante deles, teria sido um golpe sofrido pela Airbus em relação aos motores do A380. Segundo o ex-representante, ambas as fabricantes dos propulsores, Rolls-Royce e GE, esconderam sua nova tecnologia que resultou no absoluto sucesso que têm hoje o Boeing 787 e o Airbus A350.

Com consumos até 15% menores nos novos turbofans, se as empresas tivessem revelado à Airbus sobre o desenvolvimento da nova tecnologia, John afirma que o projeto do A380 poderia ser atrasado em mais três anos para aproveitar a inovação. Com isso, os enormes aviões que hoje precisam de 85 a 95% de ocupação para serem lucrativos poderiam conseguir o mesmo resultado com 65 a 70%.

A revelação do executivo vai em completo acordo com declarações da Emirates, maior operadora do modelo no mundo. Em 2018, a empresa aérea de Dubai desistiu de algumas unidades adicionais de sua encomenda do A380 exatamente por estar insatisfeita com o consumo de combustível, e em setembro deste ano, afirmou que uma versão “neo” remotorizada seria perfeita.

E para ele, até mesmo a atual mudança de foco do mercado, das rotas-tronco para as rotas ponto-a-ponto, teria sido atrasada, pois foi influenciada pela falta de um projeto bem-sucedido do A380 para manter a atratividade das ligações entre hubs principais.

Mas em sua entrevista ao Airline Ratings, John não culpa exclusivamente os motores. Ele ainda aponta outros fatores que foram bastante importantes para limitar o sucesso do Superjumbo.

O projeto e os atrasos

Um deles foi o atraso até 2007 na entrada em serviço comercial do A380, que originalmente deveria acontecer em 2005. Com isso, a estreia pegou em cheio a crise financeira global, afetando profundamente a capacidade de conseguir boas ocupações para o grande avião, mesmo em rotas principais.

Tivesse o jato começado a voar em 2005, o melhor desempenho do mercado talvez levaria a novas encomendas.

Outro fator destacado por John refere-se a algo muito anterior, ainda da fase de projeto. Ele comenta que dois pontos fizeram com que o modelo ficasse muito mais pesado do que deveria.

Um deles foi atender a muitos requisitos de companhias aéreas, como o pedido da Singapore Airlines para um avião adequado às restrições ambientais de Londres. Outro foi o plano de lançar também a versão cargueira do jato. Estes dois aspectos levaram a modificações de projeto que aumentaram o peso vazio.

Política

John também fala sobre aspectos politico

Um aspecto fundamental, em sua opinião, foi que os governos da Inglaterra, França e Alemanha, países onde se fabricam as partes do A380, deveriam ter sido mais atuantes para pressionar a China a adquirir o avião.

Em função das relações comerciais dos orientais com os Estados Unidos, os norte-americanos conseguiram barras os negócios, e apenas 5 unidades do gigante jato foram compradas por uma empresa chinesa, enquanto haveria potencial para 50 ou até 100 encomendas.

O Japão também teria sido outro potencial mercado que foi minado pelas fortes relações com os EUA, levando à grande preferência pelo Boeing 787, que hoje é sucesso absoluto no mercado japonês.

Preços

Por fim, ele ainda destaca que a Airbus errou quando pesou no aumento de preços. A fabricante julgou que as empresas aéreas aceitariam pagar um preço maior em novas encomendas do que aqueles dos primeiros lotes de A380.

A decisão não foi bem recebida, e John afirma que perdeu vários negócios, incluindo para a Lufthansa. O comentário também é condizente com declaração recente da British Airways, que no início do ano passado afirmou que até encomendaria outros A380, mas desde que pelo preço justo.

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Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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