Enfim, resolveram os problemas de motor da frota de Boeing 787 da Virgin Atlantic

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Após mais de dois anos e meio sofrendo com aeronaves no solo por conta de problemas com os motores Trent 1000, pela primeira vez a frota de dezessete Boeings 787 equipadas com os motores Rolls-Royce está completamente disponível.

Embora as aeronaves tenham que ficar no solo por mais um tempo por conta da falta de demanda resultante da pandemia, a notícia traz um alívio.

Para quem não se lembra, até porque o assunto vem se arrastando há anos, os motores Rolls-Royce Trent 1000, exclusivos para o Boeing 787 (mas não a única opção para o modelo) têm sua história marcada por problemas, que acabaram causando a parada de várias aeronaves ao redor do mundo, inclusive de aviões da Latam.

Os problemas começaram com a detecção de trincas nas palhetas (blades) da turbina de pressão intermediária (IPT), em 2016.

Em 2018, foram reportadas trincas nas palhetas nos estágios 1 e 2 do compressor de pressão intermediária (IPC). As trincas nas palhetas do 2° estágio do IPC eram induzidas por ressonância surgida pelo escoamento do ar no motor em determinado regime de operação dos motores (elevada potência sob certas condições de temperatura e altitude).

Os problemas levaram a alterações nos intervalos de inspeções dos motores e redução nas operações do tipo ETOPS (rotas longas de aviões bimotores distantes de qualquer aeroporto), o que acabou afetando significativamente várias empresas.

Ainda em 2018, descobriu-se que as palhetas do compressor de pressão intermediária (IPC) estavam se deteriorando mais rápido do que o esperado. Definidas para substituição, elas não durariam o suficiente para atender à programação de manutenção definida. Com isso, motores passaram a sofrer reprovação nas inspeções, aumentando o número de aeronaves no solo, incapacitadas de operar.

Como a Rolls-Royce atuou

A Rolls-Royce buscou sanar o problema desenvolvendo palhetas mais robustas e mudanças no controle digital do motor, a fim de evitar a operação nas condições que a ressonância ocorra. Enquanto isso, o número de aeronaves no chão aumentava.

Para ajudar, em 10 agosto de 2019, um B787 da Norwegian sofreu um despalhetamento relacionado a trinca das palhetas da IPT, segundo a autoridade de investigação italiana à época, ao decolar do aeroporto Fiumicino, em Roma, além de problemas de desligamento de motor em voo (IFSD), experimentados pela Norwegian.

Na época do grave incidente, que resultou em peças caindo sobre um bairro residencial da Itália, a ANSV divulgou que desde 2015 havia ocorrido 10 casos de fratura das palhetas na turbina de pressão intermediária dos motores Trent 1000. “O mecanismo de ruptura foi atribuído à corrosão por fadiga”, afirmou o órgão na época, acrescentando que o incidente do 787 da Norwegian parecia “semelhante”.

A Rolls-Royce não possuía um inventário de motores de reposição para enviar às companhias aéreas afetadas, para que os 787 retornassem ao ar. A fabricante de motores seguiu realizando ações intensivas para substituir as peças-chave afetadas, mas a solução definitiva do defeito de projeto levaria tempo.

Assim, com problemas na cadeia de suprimentos para atender à demanda pela solução, a parada desses 787 foi se estendendo, com aeronaves ficando no solo por prolongado período.

A Virgin Atlantic

Uma das empresas bastante afetadas pelo processo, a Virgin Atlantic alcançou um marco expressivo no último 16 de maio.

Segundo divulgado por seu Vice Presidente de Engenharia e Manutenção, Phil Wardlaw, através do LinkedIN, o último 787 da empresa afetado pelos problemas no motor Trent 1000 decolou pela primeira vez, após quatro meses, para realizar o voo de teste e aceitação antes do retorno ao serviço.

A aeronave, de matrícula inglesa G-VOOH, batizada “Miss Chief”, juntou-se aos dezesseis 787 restantes, tornando a frota de 787 da Virgin 100% operacional.

Wardlaw destacou que ainda existem vinte e quatro Boeings 787 no chão devido aos problemas com o Trent 1000 em todo o planeta, em 10 dos 17 operadores do modelo.

Nota do VP de E&M da Virgin Atlantic no Linkedin

Ele também relatou, entre outros pontos, que desde 2015 foram realizadas 133 trocas de motor na frota de B787, destacando que o número é mais de 10 vezes maior que o número de trocas de motores na frota de A330 da empresa no mesmo período. Acrescentou ainda que cada posição de motor da frota de 787 da Virgin mudou pelo menos três vezes em média.

Com relação ao problema dos Trent 1000, a empresa deve estar aliviada, pois durante todo o período de tempo em que teve problemas com sua frota de Dreamliners, a aérea teve que recorrer a alternativas, como manter em voo as aeronaves que estavam programadas para serem retiradas do serviço, caso dos A340.

Outros operadores também tiveram de emergencialmente arrendar aeronaves para cobrir as aeronaves paradas por problemas com o motor.

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Rodnei Diniz
Engenheiro aeronáutico e mecânico, atuante em gestão de manutenção aeronáutica, aviação geral, executiva e comercial. Atento aos detalhes, gosta de ler e escrever sobre a história da aviação.

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