Frota de 737 MAX voando passa o nível pré-aterramento, mas os desafios permanecem: CIRIUM

Imagem: Aka The Beav / CC BY 2.0, via Wikimedia

Artigo por Max Kingsley-Jones, Consultor Sênior da Ascend by Cirium

A frota em serviço de aeronaves Boeing 737 MAX está num nível superior ao momento do aterramento global do modelo, promovido em março de 2019. Ao mesmo tempo, um terço da quantidade total de aeronaves já produzida ainda está no solo por motivos diversos, incluindo a baixa demanda na pandemia e a falta de liberação de voo por alguns reguladores. Pela frente, ainda há muitos desafios para o MAX. 

Dados da Cirium mostram que a frota ativa de 737 MAX atingiu o pico de 368 aeronaves no momento do acidente na Etiópia em 10 de março de 2019, o que levou a uma suspensão de voos de toda a frota nos dias que se seguiram. Após a nova autorização pela Federal Aviation Administration (FAA) em novembro de 2020, a Boeing reiniciou as entregas.

O gráfico abaixo mostra essa curva.

Como as restrições para o MAX foram levantadas nas Américas, Europa e Oriente Médio, a frota operacional das companhias aéreas aumentou gradualmente para pouco mais de 370 aeronaves em meados de setembro. No entanto, os dados de rastreamento do Cirium mostram que a utilização média diária da frota permanece abaixo daquela no momento do aterramento: 9 a 9,5h de voo contra 10 a 10,4h anteriormente.

A Boeing vem realizando entregas de aeronaves em ritmo relativamente acelerado (considerando o contexto de pandemia e uma breve interrupção das entregas em abril devido a um problema de cabeamento), mas atrasos solicitados por clientes e cancelamentos de pedidos em toda a região da Ásia-Pacífico – especialmente na China – impactam a performance.

A China é responsável pela segunda maior frota de MAX globalmente, com 97 aeronaves. Recentemente, houve indícios de que a aprovação chinesa para que o modelo voe novamente é iminente, mas nada foi confirmado oficialmente.

Os dados do Cirium identificam cerca de 281 Boeing 737 MAX no inventário construído (ou seja, fuselagens não entregues que completaram um primeiro voo antes de agosto de 2020). Um terço deles é destinado à entrega às companhias aéreas chinesas. Enquanto isso, a produção de novos 737 deve aumentar do nível atual de cerca de 16 por mês para chegar a 31 durante o início de 2022 – mas isso será impulsionado em grande parte pela esperança de que a China reverta a decisão e libere o MAX novamente.

O movimento recente em torno das aprovações na Ásia-Pacífico (Índia, Malásia, Cingapura e Vietnã) para a volta do MAX deve ajudar impulsionar o retorno do modelo, mas a liberação na China é crucial para a fabricante americana.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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