Fundador da Azul diz que ‘falta de pilotos é aguda e ameaça custos da indústria’

Um dos fundadores da Azul Linhas Aéreas e da Breeze Airways alertou sobre a falta de pilotos no mercado, principalmente o americano, e como ela pode afetar o preço da passagem.

Divulgação – Embraer

A falta de pilotos tem afetado a retomada da aviação americana e causando uma migração entre empresas nunca vista, mas o problema é anterior a pandemia, como falamos nesta publicação especial.

Essa falta tem preocupado cada vez mais as empresas aéreas, segundo Trey Urbahn, que tem vasta experiência como executivo nas companhias United, Northwest Airlines, US Airways, JetBlue, TAP, além de ter ajudado o brasileiro David Neeleman a fundar Azul e, mais recentemente, a Breeze Airways, onde está como Membro do Comitê Executivo.

O antigo Diretor Comercial da brasileira Azul afirmou à Flight Global que a crise de pilotos é aguda e uma ameaça aos custos das companhias aéreas.

As empresas aéreas regionais tem subido os salários dos pilotos ano a ano, dando bônus de alguns milhares de dólares para indicações e recrutando o estudante no primeiro dia da faculdade, antes mesmo dele voar. Ainda assim a formação de pilotos não tem acompanhado a demanda do mercado, seja pela disputa por carreiras alternativas (militar ou executiva) mas principalmente o custo de formação, que pode ser mais de US$300 mil dólares se incluir uma excelente faculdade nos EUA com as 250 horas necessárias para se tornar um Piloto Comercial.

A exigência americana de 1.500 horas para voar em aviões de linha aérea também assusta e afasta possíveis aviadores, que querem que o dinheiro investido seja recuperado assim que possível.

“Algo estrutural tem mudado no mercado de trabalho. Não sei se é pessoas quem não querem trabalhar mais, porém no nosso mercado, a falta de pilotos é aguda e ameaça a estrutura de custos da indústria, porque haverá competição (entre as aéreas) para pagar um salário maior,” afirma o executivo.

No final, esse custo naturalmente vai ser repassado ao consumidor, que a longo prazo pode ver uma inflexão na tendência global de queda de preço de passagens aéreas e democratização do voo, que tem sido vistas nas últimas décadas.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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