German Efromovich a um passo de comprar a enrolada empresa indiana Jet Airways

A Synergy Aerospace conseguiu junto ao escritíorio que administra a falência da Jet Airways uma extensão do prazo para uma oferta final em 1,5 meses, até o final de novembro, informou o Financial Express. O Synergy, veículo de investimento da Germán Efromovich, é o único licitante restante.

O Press Trust da Índia informou na semana passada que o profissional de resolução Ashish Chhauchharia disse ao Tribunal Nacional de Direito das Empresas (NCLT) que a Synergy Aerospace ainda estava conduzindo a devida diligência e provavelmente precisaria de mais tempo. Ele acrescentou que uma extensão do prazo é provável.

A Synergy Aerospace vem negociando separadamente com o governo o limite de investimento direto estrangeiro. Embora o governo indiano queira limitar a participação da holding sul-americana em 49%, a Synergy está de olho no controle majoritário da Jet Airways.

Comitê de credores aprovou a extensão do prazo

O comitê de credores da Jet Airways concedeu uma extensão à Synergy Aerospace até 15 de novembro de 2019, para apresentar uma oferta formal para a aquisição da companhia aérea falida, informou o Financial Express. Embora o prazo original tenha sido 14 de outubro, com a Synergy sendo o único investidor em potencial, os credores enfrentaram efetivamente uma escolha entre estender o prazo ou aceitar o desaparecimento da companhia aérea.

Ravi Deol, um empresário britânico que criou a mais antiga cadeia de cafeterias da Índia, a ‘Barista’, também é considerado envolvido nas negociações.

© Andrew W. Sieber

Rolo atrás de rolo

Enquanto isso, o Economic Times informou que a Diretoria de Execução identificou casos de sonegação de impostos e desvio de dinheiro da Jet Airways através de contratos ilegais com subsidiárias registradas no exterior. As autoridades indianas obtiveram documentos do Egmont Group, uma rede de 164 unidades de inteligência financeira, que apontam contratos de arrendamento, manutenção e vendas suspeitos, assinados pela companhia aérea em paraísos fiscais.

“Isso claramente representa uma violação sob a Lei de Gerenciamento de Câmbio, à medida que as faturas falsas foram lançadas e o dinheiro que deveria ter chegado à Índia foi encaminhado para o exterior”, disse uma fonte próxima à investigação ao Economic Times.

“Verificou-se que a companhia aérea pagava comissões todos os anos ao seu agente geral de vendas em Dubai, que também fazia parte de uma unidade do grupo. Isso pode ter como objetivo evitar impostos na ordem de 8 bilhões de rupias (110 milhões de dólares)”, outra fonte explicou ao veículo indiano.

Os fundadores Naresh e Anita Goyals foram questionados sobre essas alegações no início deste mês, mas não responderam ao jornal.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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