Gol receberá R$ 2,4 bilhões da Boeing pela paralisação do MAX e ajuste de pedidos

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A GOL Linhas Aéreas Inteligentes divulgou uma Atualização ao Investidor para abril sobre resultados e liquidez para seus constituintes e stakeholders. Todas as informações são apresentadas em reais (R$). As informações abaixo são preliminares e não auditadas, dentre elas, os montantes que a empresa recebeu (e vai receber) da Boeing pela parada do MAX.

Considerando os atuais níveis de liquidez da GOL, a mais baixa estrutura custo entre seus pares e a posição financeira geral relativa aos concorrentes, a companhia diz estar em uma posição robusta com mais de 10 meses em reservas de caixa para se proteger e se fortalecer nessa crise.

A GOL acredita que estará bem posicionada no mercado durante sua recuperação, devido à sua malha doméstica que atende tanto os passageiros de negócios quanto os de lazer. Atualmente, a companhia possui uma forte posição competitiva e vislumbra a oportunidade de expandir esse posicionamento em um cenário de recuperação, dentro de um setor menor e mais estruturado.

Reduções de Custo e Reservas de Caixa

A companhia informa que realizou as necessárias reduções de custo com rapidez e aumentou a liquidez para atravessar a crise. Para preservar recursos, a administração adotou diversas medidas de economia de custos, incluindo o diferimento de custos de manutenção pesada e mais de 6 mil licenças voluntárias não remuneradas de colaboradores (~40% de sua força de trabalho).

Com limitada visibilidade quanto à recuperação, o cenário atual de planejamento da GOL assume uma capacidade de -45% a/a 2020, incluindo -30% a/a no 4T20, mantendo ainda flexibilidade para responder às tendências preponderantes da demanda.

A companhia diz estar mantendo conservadorismo em suas previsões de consumo de caixa, o que é prudente em função de uma provável curva mais longa de recuperação da demanda, especialmente para viagens internacionais (que correspondiam a 15% da capacidade de voo da GOL antes da pandemia). Sobre essas premissas conservadoras, a companhia estima que possui mais de 10 meses de caixa disponível, incluindo o pagamento integral de todas as despesas financeiras e dívidas.

Com base nos atuais níveis de liquidez da GOL, assim como no seu modelo flexível de gestão da frota, que permite oferecer a menor estrutura de custos entre seus pares, e na sua malha consolidada no Brasil, a companhia acredita ter uma forte vantagem em uma recuperação em relação à concorrência.

Capacidade

A GOL paralisou 120 aeronaves (~92% de sua frota) desde 28 de março, e os voos em abril foram operados do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, para todas as capitais brasileiras e o Distrito Federal, o que representa 7% do realizado em abril de 2019.

Ao final de maio, espera-se que esse patamar de operações esteja em 12% do realizado no ano passado, com a planejada reabertura das bases nos aeroportos de Foz de Iguaçu, Navegantes e Maringá, assim como o reinício de um número limitado de voos a partir de Congonhas, São Paulo, para os aeroportos de Santos Dumont e Galeão, no Rio de Janeiro.

Com a devolução de sete aeronaves B737-800 no 1T20 e de outros quatro B737-800s pretendidos no 2T20, a GOL planeja devolver um total de 18 aeronaves arrendadas em 2020 (e pode retornar até outras 30 em 2021-22). Em decorrência de uma demanda esperada mais fraca e da necessidade de menores custos de arrendamento por assento-quilômetro, a Companhia atualmente avalia uma redução de frota focada nos seus 23 B737-700s (15% do total de assentos). Além disso, a GOL cortou os recebimentos do Boeing 737 MAX para 2020/2021/2022 em 14/20/13 aeronaves, e reduziu o CAPEX em R$200 milhões para um total de R$300 milhões entre maio e dezembro, com planos de financiar totalmente o CAPEX/revisão de motores remanescentes em 2020.

Consumo de Caixa

Custos-caixa operacionais brutos: a GOL reduziu seus custos-caixa operacionais brutos para R$9 milhões/dia em abril, e espera R$8 milhões/dia para maio, não considerando receitas, reembolsos de TAE, e pagamentos de dívidas não relacionadas a aeronaves. Os pagamentos de custos-caixa para endividamento em geral não vinculado a aeronaves, adicionaram R$2 milhões/dia em abril. O valor consolidado de R$11 milhões/dia é uma melhoria em relação ao plano inicial de R$12 milhões/dia, que inclui o impacto de reembolsos de passagens e custos com colaboradores.

Custos-caixa operacionais líquidos: a GOL teve um consumo líquido de caixa de R$ 6 milhões/dia em abril, o que inclui receitas de aproximadamente R$5 milhões/dia. Com a implementação da MP 925, a maioria dos passageiros está realizando remarcações e mantendo o crédito das passagens ao invés de solicitar reembolsos, limitando as saídas de caixa relacionadas à receita líquida. Os custos com salários foram ainda mais reduzidos com os cortes na remuneração dos executivos, redução no número de horas e maior número de licenças não remuneradas. E houve contribuição favorável das operações de carga.

Para o restante de 2020 (maio-dezembro), considerando as receitas do cenário acima mencionado, sem reembolsos de TAE, renegociações em andamento com colaboradores, arrendadores e fornecedores que estão em curso, e com o pagamento integral de despesas financeiras, a Companhia prevê um consumo líquido de caixa da ordem de R$5 milhões/dia, um valor que é atualmente melhor do que a estimativa de 30 dias atrás. Incluindo o pagamento integral de dívidas não relacionadas a aeronaves, a Companhia estima um consumo líquido de caixa de R$11 milhões/dia, o que propicia à GOL mais de 10 meses de reservas de caixa.

Liquidez e acordo com a Boeing

Em 30 de abril, a GOL possuía R$4 bilhões em liquidez total, o que garante mais de 10 meses de caixa disponível (excluindo reembolsos e caixa restrito). Incluindo os valores financiáveis de depósitos e ativos não onerados (destacados na tabela), as fontes de liquidez da GOL seria aproximadamente R$7 bilhões.

A Companhia está discutindo um financiamento de R$750 milhões a R$1 bilhão, garantido por ativos não onerados (com um LTV de 50-60%). Ela atualmente dispõe de R$1,7 bilhão em ativos não onerados.

Em março, a GOL chegou a um acordo de compensação pela paralisação dos Boeing 737 MAX e de reestruturação da carteira de pedidos, pelo qual recebeu R$ 0,5 bilhão em dinheiro em abril e retém um valor presente total de R$1,9 bilhão a receber nos próximos anos. A companhia não tem pagamentos planejados de novas aeronaves nos próximos 24 meses.

Atualmente, a GOL tem aproximadamente US$100 milhões investidos em um portfólio de 17 milhões de barris de petróleo para os períodos mensais de maio de 2020 a dezembro de 2022. Aproximadamente 65% do portfólio da Companhia está em opções de compra out of the money (US$55 de preço médio dos caps) com prêmios pagos em períodos anteriores. Os 35% restantes da carteira estão em zero cost collars com opções de venda em Brent, imunizadas a um preço médio de US$20, totalmente marcadas a mercado e investidas integralmente com depósitos feitos em contrapartes de primeira linha.

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Experiência do Cliente e Segurança Pessoal

A GOL informar que tem reforçado todos os procedimentos para garantir a Saúde e Segurança de seus clientes e colaboradores, com atenção redobrada à limpeza dos assentos e dos braços das poltronas, dos cintos de segurança, das bandejas, do piso e das paredes.

Além de praticar os já rígidos padrões de sanitização da aviação civil estabelecidos pelos órgãos responsáveis, a companhia também implementou avançadas medidas adicionais de limpeza e higienização das aeronaves durante as paradas em solo e pernoites, incluindo o uso de um desinfetante de grau hospitalar para as galerias de serviço e todas as áreas de uso intenso no interior da aeronave, incluindo a cabine dos pilotos.

As aeronaves da GOL ainda dispõem do filtro de ar HEPA, que elimina 99,7% de partículas como bactérias, vírus e outras impurezas a bordo, permitindo a circulação de um ar sempre mais puro. A companhia tem distribuído também luvas e máscaras aos seus colaboradores, além de deixar à disposição, nas aeronaves, álcool em gel para a tripulação e clientes. O uso de máscaras a bordo é obrigatório desde 10 de maio.

Por meio de seu forte relacionamento com as agências de viagens e entidades que representam o tráfego aéreo (ABAV, ABRACORP e BRAZTOA), a GOL manteve a liderança de vendas em todos os segmentos, com destaque para viagens corporativas segundo dados da ABRACORP. No 1T20, a Companhia obteve a melhor avaliação no portal Consumidor.gov.br, liderando nos quesitos índice de solução, índice de satisfação e prazo médio de resposta.

Comentários

Estrutura de Custos Fixos Ajustada para a Demanda Atual: a GOL concluiu rapidamente o ajuste de sua estrutura fixa, tanto operacional como de capital, alinhando-a com o fluxo de caixa previsto para os próximos meses. O modelo operacional de baixo custo (LCC) da Companhia permite que ela seja mais enxuta. A GOL está muito confiante que sairá dessa crise com a necessária segurança e a adequada redundância para fornecer um colchão adequado de caixa.

“Nós retornamos aos nossos primeiros anos de operação com uma companhia aérea integral de baixo custo e baixa tarifa, o que nos permite estar, simultaneamente, realistas e otimistas. A companhia possui uma das estruturas de custos mais competitivas do mundo”, disse Richard Lark, Vice-Presidente Financeiro da GOL.

Preparada para uma Recuperação Lenta: a GOL está preparada para uma recuperação mais lenta e com baixa previsibilidade. Se a demanda se recuperar a uma taxa muito lenta, o modelo operacional flexível de frota única da GOL continuará a se adequar à demanda de passageiros gerada nos principais mercados de negócios e de lazer do Brasil. A administração prosseguirá avaliando o novo nível de demanda e, potencialmente, poderá recorrer à readequação adicional de sua estrutura de custos para o novo patamar de oferta. Essa expectativa pode mudar com um aumento nas vendas de mais de 20% semana a semana.

Uma Equipe Altamente Experiente é a Principal Vantagem da GOL: o time de gestão da companhia possui em retrospecto de sucesso em gestão de crises, transformações e aquisições. A GOL está trabalhando duro para vencer a luta de hoje, para que ela também vença no futuro.

Como a maior empresa aérea doméstica do Brasil, a companhia está preservando: (i) mentalidade estratégica de longo prazo; (ii) liquidez; (iii) adaptabilidade; e (iv) força de trabalho, preservando empregos e mantendo a Saúde e a Segurança dos seus colaboradores e clientes.

A companhia se beneficia de decisões tomadas com rapidez e determinação. A GOL está construindo laços comerciais ainda mais estreitos em todo o seu ecossistema de stakeholders, com transparência na comunicação, o que contribuirá para resultados mais fortes. A companhia está reinventando a experiência do cliente para continuar a fornecer o transporte aéreo mais seguro do Brasil.

“Nossa companhia está extremamente preparada, não apenas para enfrentar e superar os obstáculos mais difíceis, como também para aprender com eles. Nós nos tornamos mais fortes, ágeis e unidos. E eu tenho total certeza de que a GOL aprenderá com essa crise, forjando-nos em uma empresa aérea ainda mais capaz de desempenhar seu papel essencial para a sociedade”, concluiu Paulo Kakinoff, Diretor-Presidente da GOL.

Para acessar o release de tráfego na íntegra, clique aqui.

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Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.

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