Governo da Itália finalmente conclui a nacionalização da Alitalia

Mais cedo nessa semana, a diretoria da Alitalia reclamou que o caixa estava no final e que ele não suportaria mais muito tempo. Enquanto isso, toda a ajuda prometida pelo governo desde março ainda não tinha chegado.

Então, o governo decidiu agir. Na sexta-feira (9), o governo italiano nomeou os conselheiros e consumou a criação da nova empresa pública que adquirirá a Alitalia – essa sociedade, conhecida anteriormente como Newco (new company), passa a existir sob o nome “Italia Trasporto Aereo” ou apenas ITA (sim, a Itália agora tem uma ITA, mas não tem nada a ver com a brasileira). Trata-se apenas de uma nova empresa pública, através da qual o governo aportará o capital na Alitalia para completar o processo de re-nacionalização. A ITA também será controladora e gestora da “nova Alitalia”.

Para os passageiros nada muda já que o estatuto da nova empresa permite que a aérea mantenha sua marca comercial atual ALITALIA. Essa é a segunda vez que o governo italiano muda a “razão social” da Alitalia. No começo da pandemia, foi criada a Alitalia TAI, que agora torna-se Alitalia ITA. A nós, não é prudente nos aventurar nos entremeios do direito civil italiano para entender os porquês de tantas mudanças, até porque, no final o avião continuará tendo a pintura da Alitalia tal qual é hoje.

Os políticos locais já estão usando a criação da nova empresa, a aquisição da Alitalia e sua salvação como capital político, tocando na emoção do povo italiano, prometendo uma empresa aérea que honrará o nome e levará a Itália para o mundo. Isso é excelente, mas ainda há o trabalho impopular pela frente que é enxugar o quadro da empresa, demitindo funcionários e reduzindo a frota. Vai ser difícil achar um político interessado em anunciar essas ações com tanto entusiasmo.

“É uma grande empresa a servir o país e que vai revitalizar o turismo italiano”, disse a ministra dos transportes Paola De Micheli. A nova empresa pretende representar um primeiro passo para uma companhia aérea competitiva no mercado internacional – e que “leve a Itália para o mundo” sendo uma empresa “ITAliana”, segundo a ministra.

O plano de aportes de capital ainda está pendente de ser divulgado. O governo já havia firmado um decreto anteriormente para emprestar até 3 bilhões de euros à Alitalia, dos quais 1,3 bi já teria sido aportado.

MAS, uma matéria do El País nos lembra que ainda há desafios adiante, pois nem todo o plano de resgate da aérea já está aprovado pela União Europeia, restando algumas rodadas de análise e negociações pela frente. Esse montante de 1,3 bi de euros citado acima também não tem todo o aval da Comissão Europeia.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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