Governo suspende as operações da Peruvian Airlines por falta de segurança

Peruvian 737
Foto de Primx28 via WikiCommons

O governo do Peru suspendeu as operações da Peruvian Airlines por 90 dias com base em relatório de fiscalização que concluem que a empresa, que tem sede em Lima, tem medidas de segurança insuficientes.

“O principal problema é que não há gerenciamento de segurança nas operações”, disse Ramon Gamarra, chefe do Escritório de Aviação Civil. O proprietário da Peruvian Airlines, Cesar Cataño, chamou a decisão do governo de “exagerada” e “abusiva” e sugeriu que o Governo estivesse exagerando propositalmente para atrapalhar seus negócios. A Indecopi ordenou que a companhia aérea reembolsasse os clientes ou compensasse seus bilhetes em outras companhias aéreas locais, mas Cataño confirmou que sua Peruvian Airlines reembolsará os clientes. A Avianca Peru está recebendo a maioria dos passageiros que, segundo Cataño, são cerca aproximadamente 3.000 por dia.

Segundo Gamarra, os voos podem ser definitivamente cancelados se a empresa não melhorar seus padrões de segurança, informou o jornal Peruvian Times. Gamarra disse que a Peruvian Airlines já teve dois incidentes este ano. O primeiro ocorreu durante um voo para Cuzco, quando um motor foi desligado em voo, e o segundo em Lima, quando um dos aviões teve problemas com seus motores, forçando o piloto a fazer um pouso de emergência no Aeroporto Internacional Jorge Chavez.

A consultora jurídica da companhia aérea, Gabriela Mohana, disse que as observações são sobre questões puramente administrativas que não justificam a suspensão dos voos da empresa e que a empresa analisará a possibilidade de levar o Ministério dos Transportes a tribunal, se necessário. Outras companhias aéreas que prestam serviços domésticos no Peru incluem a Latam, bem como Star Peru e Avianca.

Peruvian tem histórico de incidentes

Além dos dois incidentes citados pelo representante do Governo Peruano, um levantamento da base de dados do AvHerald mostra que a empresa teve pelo menos 10 incidentes com alguma gravidade desde 2015, para uma frota de dez aeronaves – sendo 5 Boeing 737-300, 1 Boeing 737-400 e 4 Boeing 737-500.

Esses incidentes foram resultaram em uma variedade de problemas, desde decolagens rejeitadas, motores desligados em voo e saída da pista durante o pouso. Um dos aviões parece ter um histórico pior do que os demais. O Boeing 737-500 de prefixo OB-2041P tem três registros de problemas. Em março de 2016, ele saiu da pista em Cusco, num incidente atribuído a uma colisão com pássaros, recolocado para voar, em 2017, um pouso duro fez os pneus do avião estourarem em Lima e, finalmente, em 22 de novembro de 2018, o conjunto de trem de pouso colapsou durante pouso em La Paz, fechando a pista por horas.

Planos de operar aviões russos

Durante a feira internacional de Farnborough de 2018, a midia russa reportou que Alexander Rubstsov, presidente da Sukhoi Civil Aircraft, e Cesár Cataño, fundador e acionista da Peruvian, assinaram um acordo para aquisição de unidade do avião SSJ100, que leva até 103 passageiros e tem um alcance 4.578kme.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.