Greenpeace ameaça ir à Justiça para impedir ajuda do governo à aérea KLM

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Companhia precisa de socorro financeiro em meio a crise internacional. – Imagem: KLM

A novela do socorro estatal para a KLM continua. A organização não governamental Greenpeance, de defesa do meio ambiente, ameaça ir à justiça caso o governo holandês prossiga com o programa de ajuda financeira para companhia aérea. Segundo a entidade, a KLM é uma das empresas mais poluidoras do país e os recursos devem ser destinados para fins mais sustentáveis, caso não sejam exigidas contrapartidas ambientais mais robustas.

A ajuda estatal de €3,4 bilhões foi aprovada no final de junho pelo parlamento holandês. O objetivo é combater a crise financeira que atingiu a companhia durante a pandemia do novo coronavírus. Na última segunda-feira, 14 de setembro, o escritório do Greenpeace em Amsterdã divulgou um plano de questionar judicialmente o pacote de socorro por não contemplar contrapartidas ambientais suficientes. A ONG enviou uma notificação ao Governo naquele mesmo dia.

Segundo Greenpeace, a KLM emite mais gás carbônico do que a maior central elétrica movida a carvão da Holanda. A organização quer que o governo imponha um limite mais rigoroso de emissões de poluentes por ano para a empresa. Para isso, seria necessária a redução do número de voos operados pela companhia. “No momento, a companhia aérea não tem um plano climático sério. Reduzir a pegada de carbono é possível, mas o número de voos precisaria ser reduzido consideravelmente, a começar pelo cancelamento de voos de curta distância desnecessários como, por exemplo, para Bruxelas ou Paris”, disse Dewi Zloch, especialista em clima do Greenpeace, em comunicado a imprensa. A distância entre Amsterdã e as capitais europeias mais próximas pode ser facilmente percorrida por trens elétricos de alta velocidade.

O Greenpeace também critica a ajuda porque a origem dos recursos virá dos contribuintes holandeses em beneficio de executivos e investidores da companhia, enquanto trabalhadores continuam sendo demitidos e a demanda por voos está baixa. O pacote de ajuda da Holanda inclui € 2,4 bilhões oriundas de doações bancárias e um empréstimo estatal direto à KLM.

Os termos do acordo entre a companhia e o governo para resgate do empréstimo incluem novas metas de poluição atmosférica e sonora para a KLM além de cortes de custos, mas o Greenpeace alega que as exigências estão aquém do desejado e contradizem decisões recentes da justiça holandesa. Recentemente, a França aprovou ajuda semelhante à Air France, com exigências de compensação ambiental que incluíam a redução do número de voos. As duas companhias são sócias do mesmo grupo e a situação levou a Holanda a exigir que os recursos liberados fossem investidos apenas no braço local da empresa.

No ano passado, o Supremo Tribunal Holandês ordenou que o governo do país reduzisse as emissões de gases de efeito estufa em pelo menos 25% abaixo dos níveis de 1990, em linha com as metas climáticas internacionais. A decisão ocorreu após o grupo ambientalista Urgenda processar o governo nacional por mais compromisso com a causa ambiental.  O caso é tido como referência para o Greenpeace para uma nova empreitada judicial.

O caso teve forte repercussão na imprensa europeia, continente onde as pressões por mais empenho dos países pela causa ambiental vem aumentando a cada ano. Até o momento, o governo holandês e a KLM não se pronunciaram sobre o processo para nenhum dos veículos de imprensa que publicaram o caso.

Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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