História: o Jumbo de carga que “beliscou” a velocidade do som e quase desintegrou-se

Boeing 747 Evergreen N475EV
Boeing 747-100 N475EV da Evergreen

12 de dezembro de 1991: um Boeing 747 de cargas operado pela Evergreen International Airlines estava voando do Aeroporto Internacional John F. Kennedy (JFK), em Nova York, para Tóquio, no Japão, com uma parada intermediária no Aeroporto Internacional de Anchorage, no Alasca.

A bordo do Jumbo, modelo 747-100, sua tripulação era composta de seis pessoas.

Era por volta de 05:15 no horário local (11:15 horário UTC), quando o 747 estava navegando no nível de voo 310 (9.449 metros) perto de Nakina, uma pequena vila a aproximadamente 278 milhas náuticas (515 km) nordeste de Thunder Bay, Ontário, Canadá.

Naquele momento, a tripulação de voo observou que as luzes de advertência do sistema de navegação inercial (INS) do avião estavam acesas, indicando FAIL (falha). O sistema inercial é responsável por auxiliar na atitude e posição da aeronave ao longo do voo, pois é capaz de localizar o norte verdadeiro pela rotação da Terra a partir de giroscópios e acelerômetros.

Verificando seus instrumentos, eles descobriram que o Jumbo havia entrado em uma curva à direita com as asas em um ângulo de 90°, e estava com o nariz para baixo em uma descida de 30 a 35°. O gigante estava rapidamente perdendo altitude e ganhando velocidade.

Antes que a tripulação pudesse agir e se recuperar, o Boeing 747 de matrícula N475EV havia perdido mais de 3.048 metros de altitude e atingido Mach 0.98 em seu mergulho, ou seja, voava a 98% da velocidade do som!

Quando uma aeronave aproxima-se ou ultrapassa a velocidade do som, as forças aerodinâmicas atuantes apresentam comportamentos particulares que podem destruir sua estrutura, motivo pelo qual aviões muito rápidos possuem o design de nariz pontudo e asas bastante enflechadas, como o Concorde e os caças.

Após recuperar o controle do 747, a tripulação fez um pouso de emergência em Duluth, Minnesota (EUA), às 5:43 da manhã.

Na inspeção da aeronave, um buraco grande, de aproximadamente 0,9 metros x 4,5 metros, foi encontrado na superfície da asa direita, entre a fuselagem e o motor número 3.

Três painéis de superfície haviam sido arrancados e atingido a cauda da aeronave, no estabilizador horizontal direito, amassando seu bordo de ataque (parte frontal arredondada). Ainda, no pouso, um flap da asa esquerda foi perdido na pista.

Mas este não foi o primeiro acidente do 747 de número de série 19638 e número de linha RA003. Veja na matéria a seguir o vídeo do desastroso pouso ocorrido em 1969, logo no início da vida da aeronave:

Informações pelo This Day in Aviation.

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.