História: o dia em que um Jumbo da Air France matou a sede no Tahiti

Era uma clara noite de 13 de setembro de 1993, com ótimas condições meteorológicas.

O voo AF072, operado pelo avião Boeing 747-400 de matrícula F-GITA da companhia aérea Air France, fazia a rota de Paris para o Tahiti, com escala em Los Angeles, levando seus passageiros à paradisíaca ilha na Polinésia Francesa, no meio do Oceano Pacífico.

Maps Localização Tahiti
Localização do Tahiti no meio do Pacífico

Tudo correu bem durante as duas etapas de voo, e o tempo estava bom quando o Jumbo aproximou-se do Tahiti naquela noite de domingo, por volta das 21:00 no horário local.

Os pilotos posicionaram a aeronave para o procedimento VOR-DME da pista 22 do Aeroporto Internacional Fa’a’ã.

Maps Fa'a'ã International Airport Tahiti
Aeroporto Internacional Fa’a’ã visto no Google Maps

O Boeing 747 estava em uma aproximação estabilizada na configuração de pouso, com o piloto automático desconectado mas com a aceleração automática acionada.

No ponto de aproximação perdida, o sistema de voo automático iniciou uma arremetida. Apesar da decisão do sistema, o piloto da aeronave segurou fisicamente a manete de potência com a mão, contrariando o sistema automático, e continuou a aproximação.

Tudo correu bem até as 21:05, quando a aeronave tocou a pista a uma velocidade de 168 nós. Mas, dois segundos depois, a alavanca de empuxo do motor número 1 (externo esquerdo) escorregou da mão do piloto e, comandada pelo sistema automático, aumentou para o impulso total para a frente.

Como consequência, os spoilers (superfícies que se levantam na parte de cima da asa para reduzir a velocidade e tirar sustentação da aeronave) não foram acionados e o freio automático foi desarmado.

A assimetria de potência gerada com vários motores freando a aeronave, em empuxo reverso, e um motor acelerando a aeronave, em empuxo de decolagem, fizeram com que o Jumbo ficasse difícil de se manter controlado.

A tripulação então optou por cancelar o empuxo reverso do motor número 4 (externo direito) para voltar a ter simetria de potência. Mas já era tarde.

O retardo na aplicação de spoilers e freios, e a ausência de dois motores em reverso, fizeram com que não houvesse mais distância suficiente para a parada segura do Boeing 747 da Air France.

Air France 747-400 Runway Overrun

A aeronave ultrapassou o final da pista, felizmente já em baixa velocidade, parando com seu nariz dentro das águas que circundam o aeroporto do Tahiti.

Todos os passageiros foram evacuados com sucesso, com apenas quatro ferimentos leves.

Air France 747-400 Runway Overrun

Com informações do Aviation Safety Network e da FAA.

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.