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Holanda vai substituir avião Hércules e Embraer diz que o KC-390 atende aos requisitos

Os Países Baixos anunciaram nesta semana que pretendem acelerar a aposentadoria dos aviões C-130H Hércules, no que pode ser uma oportunidade para a Embraer.

C-130H da Holanda sobrevoa Eindhoven © Divulgação – MOD Países Baixos

Segundo o Ministério da Defesa dos Países Baixos, os quatro C-130H Hércules de fabricação americana foram comprados em 1992 (dois novos de fábrica) e em 2005 (mais dois, porém usados). O mais velho deles foi fabricado em 1978 e já passou do seu período de vida operacional. O programa de substituição será iniciado no ano que vem e deverá ser concluído em 2028, com a entrega da quarta e última nova aeronave encomendada.

C-390 Millenium da Embraer

Segundo o Ministério da Defesa holandês, a nova aeronave deve ser capaz de operar por todo mundo, incluindo a possibilidade de pousar em pistas de terra e/ou curtas. Além disso o avião deve ter capacidade de evacuação aeromédica para transportar enfermos com cuidados médicos de alta qualidade.

Embraer KC390 Millennium FAB Força Aérea Brasileira

Mas um ponto é chave para o C-390: os holandeses querem que a aeronave “cubra uma distância de 2 mil milhas náuticas”.

Questionamos a Embraer, que diz que essa distância também poderia ser coberta pelo C-390, se levada em consideração a limitação de carga de 60 paraquedistas exigidas pelo Ministério da Defesa, embora o portal militar Scramble Magazine acredite que tal carga limitaria o alcance do C-390 a 1.750 milhas náuticas e poderia ser um empecilho ao negócio com os brasileiros.

O PRINCIPAL CONCORRENTE do Embraer nessa disputa seria o C-130J Super Hércules da Lockheed Martin, que é a versão modernizada do C-130. Esta nova versão consegue voar por 2.160 milhas náuticas levando 18 toneladas. Isso é possível porque o C-130J é um avião turboélice, consome menos mas também voa mais lento, 40% mais devagar que o C-390 que utiliza motores turbofans.

Avião Especial para Forças Especiais

Outro ponto que pode pesar a favor do avião americano é que uma das quatro novas aeronaves teriam que ser equipadas para atender a Korps Commandotroepen (KCT) e a MARSOF, que são respectivamente as forças especiais do Exército e Marinha dos Países Baixos.

MARSOF no Afeganistão © Divulgação – MOD Países Baixos

Estas tropas não são muito conhecidas, mas atuam no Afeganistão ao lado dos EUA já há uns bons anos, realizando missões especiais. E a Lockheed Martin já conta com duas variantes do Super Hércules neste propósito: o EC-130 Commando Solo e o MC-130J Commando II, que voam pela Força Aérea Americana.

Os Hércules Commando são equipados com diversos equipamento de comunicações, sensores para auxiliar as forças especiais em solo, além de capacidade de reabastecimento integrada para apoiar os helicópteros das forças. Outra modificação são os tanques extras de combustível que colocam seu alcance na casa das 3 mil milhas náuticas, sem precisar reabastecer.

Por causa disso, segundo a Scramble Magazine, os holandeses já teriam visitado e conversando com a Lockheed Martin nos EUA. Entramos em contato com a Embraer para saber se existe alguma negociação ou tratativa com os Países Baixos, mas a empresa disse que “não comenta possibilidade de negócios”.

Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A