IATA: mundo já teve mais de 7,5 milhões de voos cancelados e inverno será rigoroso

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) emitiu um novo relatório em que alertou, no último dia 16, que o setor de aviação no hemisfério norte enfrentará um inverno rigoroso, e solicitou aos governos de todo o mundo que continuem proporcionando socorro às empresas, à medida que a pandemia continua.

Transporte aéreo

As companhias aéreas devem registrar em 2020 prejuízos totais de cerca de US$ 84,3 bilhões, e para a IATA, o alívio financeiro vindo do governo é uma tábua de salvação para muitas dessas empresas.

Falando especialmente sobre as aéreas do hemisfério norte, a IATA diz que a maior parte das companhias ganha dinheiro na temporada de verão (julho a setembro), enquanto na temporada de inverno, mesmo nos melhores momentos, as aéreas lutam para permanecerem lucrativas.

Por exemplo, a margem de lucro líquido de 2019 para as companhias aéreas europeias seguiu o padrão sazonal normal, e foi de 9% e 17%, respectivamente, no segundo e terceiro trimestres (época quente, de verão no hemisfério norte) naquele ano. Mas começou em -1% no primeiro trimestre e terminou o ano em 2% no quarto trimestre (inverno no hemisfério norte).

Para a IATA, a temporada de inverno deste ano será ainda mais desafiadora em meio à recuperação da crise. Segundo dados da associação, até agora, já foram mais de 7,5 milhões de voos cancelados e um total de receitas não-ganhas de US$ 419 bilhões.

Perdas totais setor aéreo
Resumo das perdas – Fonte: IATA.

Pesquisa pública aponta cautela para viajar

Uma pesquisa de opinião pública na primeira semana de junho desse ano mostrou maior cautela entre os viajantes ao retornar às viagens. Apenas 45% dos viajantes pesquisados ​​pretendem voltar a voar alguns meses após o desaparecimento da pandemia e outros 36% disseram que esperariam seis meses.

Essa é uma mudança significativa em relação a abril, quando 61% disseram que voltariam a viajar alguns meses após a pandemia desaparecer, e 21% responderam que esperariam cerca de seis meses.

Os resultados da pesquisa são corroborados pelas principais tendências dos passageiros, demonstrando a incerteza contínua do mercado:

  • No geral, as reservas caíram 82% em relação ao mesmo período de junho de 2019.
  • As reservas a longo prazo, para a primeira semana de novembro de 2020, estão 59% abaixo dos níveis normais. As tendências históricas mostram que cerca de 14% dos bilhetes de avião são vendidos 22 semanas antes da viagem. As reservas atuais, de 1 a 7 de novembro mostram que os bilhetes foram vendidos para apenas 5% do número de passageiros quando comparado a 2019.
  • Os passageiros estão fazendo as reservas mais próximo do momento da viagem. As reservas para viagens com antecedência de 20 ou mais dias, representaram 29% das reservas feitas em maio de 2020, em 2019 esse tipo de reserva representou 49%. Da mesma forma, 41% das reservas feitas em maio de 2020 foram para viagens dentro de 3 dias, mais do que o dobro dos 18 % em maio de 2019.

O Diretor Geral e CEO da IATA, Alexandre de Juniac, declarou que: “as pessoas estão voltando aos céus, mas o horizonte de incerteza da crise do COVID-19 está se estendendo. As reservas antecipadas se reduziram e as pessoas estão preferindo reservar os voos mais próximo da data da viagem”.

As companhias aéreas do hemisfério norte dependem de uma forte temporada de verão e de uma previsível curva de reservas, para superar os meses mais enxutos. Mas nenhuma dessas condições está ocorrendo e as companhias aéreas precisarão de ajuda contínua dos governos para sobreviver a um difícil inverno no hemisfério norte, continuou de Juniac.

As aéreas precisarão de muito mais flexibilidade para planejar horários em torno dessas tendências de mudança de consumo. A flexibilidade financeira e operacional é igual à sobrevivência, frisou de Juniac.

Pontos-chave

A IATA destacou quatro áreas-chave nas quais os governos poderiam ajudar as companhias aéreas:

1- Estender a isenção da regra 80-20 de utilização de slots nas diretrizes para aeroportos internacionais: nesse momento extraordinário, as companhias aéreas precisam de muito mais flexibilidade para planejar horários, e a tomada de decisões críticas não deve ser comprometida pelas diretrizes de alocação de slots projetada para períodos normais (sem crise).

2- Assistência financeira continuada de maneira a não elevar os níveis de dívida do setor, que aumentaram acentuadamente: alguns governos estão explorando medidas que incluem subsidiar operações domésticas e renunciar a taxas de controle de tráfego aéreo e aeroportuário.

3- Extensões para subsídios salariais e medidas de alívio de tributação das empresas: os esquemas de subsídios salariais proporcionaram cerca de US$ 35 bilhões em benefícios às companhias aéreas. A redução mais lenta daria às companhias aéreas mais tempo para se recuperarem, e minimizar as perdas de empregos. O alívio de impostos corporativos e indiretos, impostos sobre passageiros ou impostos sobre combustíveis, apoiaria o estímulo do mercado.

4- Evitar aumentos nas cobranças e taxas: embora os aeroportos e os prestadores de serviços de navegação aérea tenham sofrido quedas nas receitas, devem ser evitados aumentos acentuados nas tarifas durante o período de reinicialização, pois isso afetará gravemente as finanças das companhias aéreas e a recuperação do mercado. Da mesma forma, os governos devem cobrir os custos de novas medidas de saúde impostas como resultado da pandemia.

Sobre as medidas acima, de Juniac comentou a questão da regra 80-20, dizendo que, havia boas razões pelas quais a regra 80-20 foi dispensada para o verão. Na visão do executivo, os reguladores devem, com bom senso, aplicar a mesma abordagem novamente e renunciar à regra para a temporada de inverno. “As companhias aéreas precisam se concentrar em atender o desejo imediato dos consumidores, sem tentar defender slots que lhe serão considerados necessários, para suas operações daqui a um ano”, destacou o CEO da IATA.

“Cada dia mais pessoas estão viajando. Isso é bom para a economia. Os números estão se movendo na direção certa, mas não estamos nem perto dos níveis normais ou sustentáveis ​​de atividade. As medidas de alívio financeiro ainda são desesperadamente necessárias. E medidas políticas de alívio, como a renúncia a regra de uso de slots permanecem críticas. Os governos precisam conceder isso, no mais tardar, no final de julho para fornecer pelo menos essa certeza para essa indústria”, finalizou de Juniac.

Com informações da IATA.

Rodnei Diniz
Engenheiro aeronáutico e mecânico, atuante em gestão de manutenção aeronáutica, aviação geral, executiva e comercial. Atento aos detalhes, gosta de ler e escrever sobre a história da aviação.

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