Início Empresas Aéreas IATA pede que o setor de carga aérea continue unido como está...

IATA pede que o setor de carga aérea continue unido como está na pandemia

Boeing 747-400F

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA – International Air Transport Association) pediu que o setor de transporte aéreo de carga continue trabalhando em conjunto, no mesmo ritmo e nível de cooperação vistos durante a pandemia da COVID-19, para superar os desafios futuros e desenvolver a resiliência do setor.

Sustentabilidade, modernização e segurança foram destacadas como as principais prioridades do setor pós-pandemia. Esse pedido da IATA foi feito no 14° Simpósio Mundial de Carga Aérea (WCS – World Cargo Symposium), que teve início hoje em Dublin.

Brendan Sullivan, diretor global de carga aérea da IATA, disse que o transporte aéreo de carga é um setor extremamente importante, e esta pandemia nos lembrou que durante a crise ele foi uma salvação para a sociedade, entregando suprimentos médicos essenciais e vacinas em todo o mundo e mantendo a operação das cadeias de abastecimento internacionais. Além disso, para muitas companhias aéreas, a carga se tornou uma fonte de receita vital quando os voos de passageiros foram interrompidos.

“Em 2020, o setor de transporte aéreo de carga gerou US$ 129 bilhões, representando cerca de um terço das receitas gerais das companhias aéreas, um aumento de 10-15% em relação aos níveis anteriores à crise. Com isso, as perspectivas para o futuro são boas. Precisamos manter a dinâmica estabelecida durante a crise e continuar construindo resiliência após a pandemia”, afirmou Brendan.

Perspectivas para o setor de carga aérea

As perspectivas para a carga aérea no curto e longo prazo são fortes. Os indicadores como níveis de estoque e produção do setor de manufatura são favoráveis, apontando para crescimento de 9,5% do comércio mundial neste ano e 5,6% em 2022. O comércio eletrônico continua crescendo a uma taxa de dois dígitos e aumenta a demanda por cargas especializadas de alto valor, como produtos de saúde e vacinas que exigem controle de temperatura.

Neste ano, a demanda por carga deve ultrapassar os níveis pré-crise (2019) em 8% e as receitas devem bater o recorde de US$ 175 bilhões, com aumento estimado de 15% nos rendimentos. Em 2022, a demanda deve ultrapassar os níveis pré-crise (2019) em 13% e as receitas devem atingir US$ 169 bilhões, mesmo com uma queda de 8% nos rendimentos.

“O aumento na demanda por carga aérea e os rendimentos atraentes também envolvem complicações. As restrições resultantes da pandemia causaram um grave congestionamento da cadeia de suprimentos global e criaram dificuldades para a tripulação que cruzava as fronteiras internacionais. Recursos e capacidade, espaço para manuseio e movimentação de cargas nas instalações e os serviços de logística serão um problema. Isso criará mais desafios operacionais para o nosso setor e deve ser planejado agora. Mas temos demonstrado resiliência ao longo da crise e com esse mesmo foco vamos superar esses desafios”, disse Sullivan.

Sustentabilidade

“Sustentabilidade é a licença para crescer do nosso setor. Os transportadores de carga estão mais conscientes sobre o impacto ambiental e são responsabilizados por seus clientes pelas emissões produzidas. Muitos estão agora relatando quanto suas cadeias de suprimentos produzem em emissões e estão buscando opções de transporte neutro em carbono. Todos nós precisamos atender às expectativas dos clientes quanto aos mais altos padrões de sustentabilidade. O caminho desde a estabilização até a redução das emissões líquidas exigirá um esforço coletivo”, disse Sullivan.

Na Assembleia Geral Anual da IATA realizada na semana passada, as companhias aéreas se comprometeram a zerar as emissões líquidas de carbono até 2050. Este compromisso está alinhado à meta do Acordo de Paris de que o aquecimento global não deve ultrapassar 1,5°C.

A estratégia é reduzir o máximo possível de CO2 usando soluções do próprio setor, como combustíveis de aviação sustentáveis, novas tecnologias de aeronaves, operações e infraestrutura mais eficientes e o desenvolvimento de novas fontes de energia de emissão zero, como energia elétrica e hidrogênio. As emissões que não puderem ser eliminadas na fonte serão eliminadas por meio de opções fora do setor, como captura e armazenamento de carbono e esquemas de compensação confiáveis.

Modernização

“A pandemia acelerou a digitalização em algumas áreas com a introdução de processos sem contato para reduzir o risco de transmissão da COVID-19. Precisamos aproveitar esse momento de inovação não apenas para melhorar a eficiência operacional, mas para atender às necessidades dos nossos clientes. As áreas de maior crescimento estão no comércio eletrônico internacional e itens de transporte especial, como cargas urgentes e que exigem controle de temperatura. Os clientes desses produtos querem saber onde estão seus itens e em que condições, a qualquer momento durante o transporte. Isso requer digitalização e dados”, disse Sullivan.

A IATA destacou três grandes projetos que promovem a digitalização do setor e o progresso de cada um deles:

● A implementação do sistema de conhecimento de embarque aéreo eletrônico (e-air waybill, ou e-AWB) atingiu 75% e deve chegar a 100% até o final de 2022;

● A visão ONE Record da IATA, que permite que toda a cadeia de abastecimento trabalhe em parceria a partir de um conjunto de dados padronizados e intercambiáveis, tem 17 projetos pilotos em andamento envolvendo 145 empresas e 3 autoridades alfandegárias;

● Os padrões de mensagens Cargo XML da IATA estão sendo adotados por um número crescente de autoridades alfandegárias.

“Os sistemas e-AWB, ONE Record e Cargo XML são grandes projetos do setor e estão nos levando na direção certa. Então isso é bom. Mas precisamos continuar trabalhando no mesmo ritmo que tivemos durante a crise da COVID-19”, disse Sullivan.

Segurança

A segurança foi destacada como prioridade para o setor, especificamente no transporte de baterias de lítio.

“A demanda por baterias de lítio continua aumentando, assim como o risco de incêndio causado por este tipo de carga. Nossa preocupação principal envolve os acidentes causados por embarcadores não autorizados que fazem declarações incorretas da carga. Mas o incidente na rampa do aeroporto internacional de Hong Kong no início deste ano nos lembrou da gravidade deste desafio. A investigação indicou que o carregamento e a movimentação da carga estavam de acordo com o regulamento, e a carga havia sido declarada corretamente”, disse Sullivan.

A IATA pediu que:

● As autoridades reguladoras (EASA e FAA) acelerem o desenvolvimento de um padrão de teste que possa ser usado para demonstrar que as tampas de paletes de contenção de fogo e os contêineres resistentes ao fogo são capazes de suportar um incêndio envolvendo baterias de lítio;

● As autoridades governamentais assumam a responsabilidade de impedir produtores e exportadores não autorizados de baterias de lítio;

● O setor intensifique e amplie a coleta de dados sobre incidentes e desenvolvam métodos para que os dados sejam compartilhados para apoiar os processos de avaliação de risco de segurança das companhias aéreas.

Facilitação do comércio

“Os atritos aumentaram em todo o mundo. E existem grandes problemas políticos, como o protecionismo e a desigualdade das taxas de vacinação, que precisarão de tempo para serem resolvidos. Mas estabelecemos tratados que precisam ser ratificados, como o Acordo de Facilitação do Comércio (TFA – Trade Facilitation Agreement) da Organização Mundial do Comércio, que se concentra nos negócios e no comércio. Apesar das tensões políticas, pedimos que os países cumpram os seus acordos”, disse Sullivan.

Até hoje, 154 países ratificaram o acordo, que correspondem a 94% dos membros da OMC. Os governos que ainda não ratificaram o TFA devem fazer isso quanto antes. Os países signatários devem implementar o acordo o mais rápido possível. O custo desta passividade é alto. A implementação total pode movimentar US$ 1 trilhão por ano no comércio global, reduzindo em 14% em média os custos do comércio global.

Informações da IATA

Sair da versão mobile