Início Mercado IATA se movimenta contra novas restrições aéreas na Argentina

IATA se movimenta contra novas restrições aéreas na Argentina

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, em inglês) pediu uma reunião urgente com o Governo da Argentina após a publicação do último decreto governamental que estabelece novas restrições aéreas no país. A decisão visa conter a propagação de novas variantes do coronavírus da COVID-19 no país.

De acordo com o último decreto do governo, publicado na última sexta-feira, dia 25 de junho, a chegada de passageiros em voos internacionais estão limitadas a apenas 600 pessoas  por dia. A Argentina já havia estabelecido um limite diário de chegadas de 2.000 passageiros em voos internacionais, o que obrigou as companhias aéreas a reduzir drasticamente e alterar seus horários.

A norma também prorroga até 9 de julho as restrições de entrada de estrangeiros não residentes na República Argentina e a suspensão dos voos regulares para e do Reino Unido, Turquia, Brasil, Chile, Índia e países africanos, além de outras medidas. A decisão tem efeito imediato e impacta diretamente os planos de retomada  do setor aéreo não apenas no país, mas em toda América do Sul.

De acordo com o vice-presidente regional da IATA para as Américas, Peter Cerdá, decisão do governo argentino irá prejudicar a própria população do país, em troca de poucos benefícios na área da saúde. “Entendemos o foco do governo em proteger a saúde e o bem-estar dos cidadãos argentinos. (…). No entanto, obrigar a uma redução adicional de passageiros internacionais diários que chegam em 70% forçará as companhias aéreas a reter milhares de passageiros, principalmente cidadãos argentinos e residentes, fora do país”, disse o executivo.

Cerdá acrescenta que as empresas aéreas não tiveram tempo hábil para se adaptar às medidas. “Do jeito que está, as companhias aéreas não serão capazes de implementar a nova diretriz governamental. No mínimo, o governo precisa informar como os 600 assentos serão distribuídos entre as companhias aéreas que prestam serviço internacional de passageiros ao país. Isso deve ser feito de forma não discriminatória e transparente e, portanto, solicitamos uma reunião urgente com os responsáveis, declarou Cerdá, em comunicado  oficial.

Em informativo a imprensa, a IATA ressaltou que a indústria quer continuar a fornecer conectividade aérea essencial de e para a Argentina, tanto durante a crise do COVID-19 como depois. “Mas, ao tomar tais decisões unilaterais em tão pouco tempo, o governo corre o risco de isolar ainda mais o país. Precisamos aprender a conviver com o COVID-19 daqui para frente e os responsáveis ​​precisam seguir a ciência e não deixar o medo guiar suas decisões ”, finaliza Cerdá.

A Câmara de Linhas Aéreas da República Argentina (CLARA), entidade formada em 2020 por companhias aéreas locais para lidar com os problemas causados pela pandemia, apoia a posição da IATA. A organização reclama que as decisões do governo representam um “fechamento virtual de fronteiras” sem paralelo no país, que está fechado aos turistas estrangeiros há mais de meio ano.

A Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (ALTA),também criticou duramente a medida. O grupo de companhias aéreas reclama de falta de previsibilidade para o passageiro que deseja planejar uma viagem aérea. De acordo com informações divulgadas pela imprensa local, cerca de 45.000 pessoas podem ser afetadas pela reprogramação e cancelamento de voos para as próximas semanas.

Outro lado

Em declarações à imprensa, a ministra da Saúde argentina, Carla Vizzotti, defendeu o aumento dos controles de entrada de passageiros internacionais no país. Ela aponta o alto índice de descumprimento da quarentena obrigatória para quem chega em território argentino. Até ontem, mais de 92 mil pessoas haviam morrido de COVID-19 no país.

A decisão também foi apoiada pela diretora da Direção Nacional de Migração Argentina, Florencia Carignano, em declarações a uma rádio de Buenos Aires. “Se não fecharmos, em duas semanas teremos um colapso sanitário”, alertou Carignano. A Argentina tem registrado um aumento recorde de novos casos de COVID-19, o que tem sobrecarregado o sistema de saúde do país.

Sair da versão mobile