Início Aeroportos Os impactos da pandemia nos aeroportos mais movimentados do mundo

Os impactos da pandemia nos aeroportos mais movimentados do mundo

Receba as notícias em seu celular, clique para acessar o canal AEROIN no Telegram e nosso perfil no Instagram.

O Conselho Internacional de Aeroportos (ACI World) publicou, neste mês de outubro, seu Relatório de Tráfego Aeroportuário Mundial (WATR na sigla em inglês), com dados mostrando o impacto dramático e catastrófico da pandemia de Covid-19 no tráfego dos aeroportos nos primeiros seis meses de 2020. Veja a seguir um comparativo entre o desempenho pré-crise e a situação atual do mercado.

Aeroporto de Atlanta – Imagem: formulanone / CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Um 2019 pujante

De acordo com o relatório, em 2019 o tráfego de passageiros nos 20 aeroportos mais movimentados do mundo havia crescido 1,7%. Com mais de 1,5 bilhão de passageiros passando por seus terminais, este grupo de 20 terminais representou 17% do tráfego global de passageiros.

O número de passageiros de todos os aeroportos do mundo, por sua vez, foi estimado em mais de 9,1 bilhões em 2019, um aumento de 3,5% em relação a 2018, ilustrando uma indústria de aviação saudável antes do impacto catastrófico da atual pandemia.

O tráfego aeroportuário nos mercados emergentes e economias em desenvolvimento cresceu, em 2019, ligeiramente mais rápido (+3,9%) do que nas economias avançadas (+3,1%). África (+6,0%) e América Latina-Caribe (+4,4%) apresentaram o mais forte crescimento de todas as regiões no tráfego de passageiros.

O ano passado, no entanto, marcou o final de uma década de crescimento consistente no tráfego global de passageiros, antes que a crise da Covid-19 levasse aeroportos em todo o mundo a uma quase ou completa paralisação, resultando em perdas de tráfego aeroportuário e de receita em todas as regiões.

Os efeitos em 2020

No primeiro semestre de 2020, o número mundial de passageiros em aeroportos diminuiu -58,4% em comparação com o mesmo período de 2019, com o tráfego internacional sendo o mais atingido, registrando uma queda de -64,5%.

Além da queda do número de pessoas transportadas, a movimentação geral de aeronaves diminuiu -41,6%, enquanto o volume total de carga pelos aeroportos diminuiu -12,4%, no mesmo período dos primeiros seis meses deste ano.

Como consequência dos profundos impactos, os 10 mais movimentados aeroportos de 2019 foram assim afetados durante a primeira metade deste 2020:

Ranking dos aeroportos mais movimentados de 2019 e impactos da pandemia

1. Atlanta (ATL) – 110,5 milhões de passageiros em 2019; tráfego caiu 56,6% no primeiro semestre de 2020

2. Pequim (PEK) – 100 milhões de passageiros em 2019; tráfego caiu 73,6% no primeiro semestre de 2020

3. Los Angeles (LAX) – 88,1 milhões de passageiros em 2019; tráfego caiu 58,9% no primeiro semestre de 2020

4. Dubai (DXB) – 86,4 milhões de passageiros em 2019; tráfego caiu 56,4% no primeiro semestre de 2020

5. Tóquio (HND) – 85,5 milhões de passageiros em 2019; o tráfego caiu 59,2% no primeiro semestre de 2020

6. Chicago (ORD) – 84,6 milhões de passageiros em 2019; tráfego caiu 57,6% no primeiro semestre de 2020

7. Londres (LHR) – 80,9 milhões de passageiros em 2019; tráfego caiu 60,2% no primeiro semestre de 2020

8. Xangai (PVG) – 76,2 milhões de passageiros em 2019; o tráfego caiu 68,1% no primeiro semestre de 2020

9. Paris (CDG) – 76,2 milhões de passageiros em 2019; tráfego caiu 61,4% no primeiro semestre de 2020

10. Dallas / Fort Worth (DFW) – 75,1 milhões de passageiros em 2019; tráfego caiu 48,2% no primeiro semestre de 2020

Agregado dos TOP 10 aeroportos – 863,420 bilhões de passageiros em 2019; tráfego caiu 60,2% no primeiro semestre de 2020

Enquanto Atlanta e Pequim ocupavam os dois primeiros lugares como os aeroportos mais movimentados do mundo, e Los Angeles havia subido uma posição para ocupar o terceiro lugar em 2019, os dados do primeiro semestre de 2020 mostram que esses aeroportos sofreram quedas de -56,6%, -73,6% e – 58,9%, respectivamente. Foi a queda mais acentuada da história do setor.

“Depois de um período de crescimento global sustentado em 2019, a indústria da aviação enfrenta agora a pior crise que já enfrentamos, com enormes quedas no tráfego de passageiros e receitas devido ao impacto da pandemia de Covid-19”, disse o Diretor Geral Mundial da ACI, Luis Felipe de Oliveira.

As prioridades para a recuperação

Oliveira enfatiza que a aviação – e os aeroportos como o principal ponto focal da indústria – serão os principais impulsionadores da recuperação econômica global da Covid-19, e os governos precisam fornecer assistência e coordenação para ajudar a salvar empregos, proteger operações essenciais e fornecer políticas sensatas para facilitar o retorno da conectividade aérea.

“Estamos otimistas quanto ao futuro, mas precisamos de consistência e colaboração em todo o mundo em questões importantes como testes. A indústria está unida na opinião de que testes generalizados de passageiros antes da viagem, como uma alternativa às restrições de quarentena, serão uma forma crucial de promover a confiança do público nas viagens aéreas e devem ser introduzidos”, alertou o Diretor, em consonância com as declarações da IATA (Associação Internacional do Transporte Aéreo) sobre o mesmo tema.

Oliveira ainda completa que, diante da longa e difícil jornada para a volta aos níveis de sucesso vistos em 2019, é preciso um trabalho conjunto em toda a indústria, lado-a-lado com a ICAO (Organização da Aviação Civil Internacional) e organizações internacionais de saúde, para desenvolver uma abordagem global para testes que ajudará a estabelecer consistência e procedimentos viáveis.

O relatório WATR do ACI inclui dados de 2.565 aeroportos em mais de 180 países em todo o mundo e, segundo o Conselho, a publicação deste ano contém os dados mais abrangentes já coletados.

Informações do ACI

Receba as notícias em seu celular, clique para acessar o canal AEROIN no Telegram e nosso perfil no Instagram.

Apaixonado por aviação desde o berço como filho de comissário de bordo, realizou o sonho de criança se tornando comissário em 2011 e leva a experiência de quase 10 anos no mercado da aviação. Formado Trainer em Programação Neurolinguística, conseguiu unir suas duas paixões, comunicação e aviação.
Sair da versão mobile