Israel acolhe voo histórico de A330 da árabe Etihad com suprimentos aos palestinos

A companhia aérea Etihad Airways fez um voo histórico na data de hoje, 19 de maio, quando enviou ajuda aos palestinos em meio à pandemia do novo coronavírus. O voo também é o primeiro na história a ligar os Emirados Árabes Unidos a Israel.

Tudo na rota foi meticulosamente planejado, desde o trajeto em si, até a pintura da aeronave, ou melhor, a ausência de pintura.

O voo aconteceu num momento em que os Emirados Árabes Unidos não têm laços diplomáticos com Israel devido à ocupação de terras reclamadas pelos palestinos para um futuro estado. No entanto, marca um momento aberto de cooperação entre os países.  

Segundo dados do FlightAware, a aeronave fez uma grande volta até chegar à seu destino no aeroporto internacional Ben Gurion, após decolar de Abu Dhabi. Por motivos de restrições de sobrevoo devido à “inimizades” na região, os voos dos Emirados Árabes não sobrevoam a Arábia Saudita, Síria, Líbano e Jordânia, ao invés disso, o voo passou por sobre o Golfo Pérsico, Iraque e Turquia, antes de rumar ao Mediterrâneo e, então, Israel. Veja a rota feita pela aeronave.

A rota do voo de 4 horas entre Abu Dhabi e Tel Aviv

Segundo a Etihad disse à Associated Press, o voo desse 19 de maio foi humanitário e levou apenas cargas para fornecer suprimentos médicos aos palestinos. Enquanto isso, a agência de notícias estatal WAM dos Emirados Árabes Unidos divulgou um comunicado dizendo que entregou 14 toneladas de equipamentos de proteção, itens médicos e ventiladores “para conter a propagação da pandemia da COVID-19 no território palestino”. Mas não disse quando foi o voo e nem que pousou em Israel.

Por sua vez, um funcionário da autoridade de Aeroportos de Israel confirmou o voo de carga pousado em Ben Gurion na noite de terça-feira (19), bem como divulgou um vídeo mostrando a acolhida à aeronave em operação humanitária (assista abaixo), mas em condição de anonimato, pela sensibilidade do tema.

Veja só, mesmo um ato tão bonito, pode virar uma “bomba” nas mãos erradas. Somente o fato do avião estar todo branco propositalmente, já dá uma dimensão do conflito.

Nem a Faixa de Gaza e nem a Cisjordânia têm seus próprios aeroportos, o que significa que a maior parte da carga destinada ao território palestino deve entrar por Israel, e 99% das vezes por via terrestre. No entanto, fontes próximas ao assunto acreditam que o voo teve algum impulsionamento das Nações Unidas, já que os Emirados Árabes Unidos possuem uma parte do estoque da organização para distribuição na região.

A extensão dos laços árabes do Golfo com Israel ainda é em grande parte mantida em sigilo, mas esses laços permanecem altamente controversos entre o público árabe, principalmente porque os palestinos permanecem sem um estado próprio, apesar de décadas de negociações.

Apesar de tensões, israelenses que viajam com passaportes ocidentais costumam entrar nos Emirados Árabes Unidos sem problemas, embora ainda não seja possível fazer uma ligação telefônica entre os dois países.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.

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