Itapemirim já investiu R$ 15 milhões e contratou 400 pessoas para a companhia aérea

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O investimento numa empresa aérea durante uma pandemia que tem devastado a aviação mundial já poderia, per se, despertar o ceticismo em muitas pessoas. Quando se fala de uma companhia aérea, subsidiária de um grupo em recuperação judicial desde 2016 e cujas informações são escassas, a dúvida aumenta. Esse é o tema da reportagem de ontem (21) do Estadão.

As repórteres Luciana Dyniewicz e Rayssa Motta exploraram alguns temas relacionados ao capital da empresa e à recuperação judicial, citando que a administradora judicial da Itapemirim, EXM Partners, insistiu para que o grupo fornecesse detalhes sobre investimentos na empresa aérea, contratos e gastos, mas a empresa se recusou a dar informações alegando sigilo de mercado. As demonstrações contábeis de 2019 a 2021 também estão atrasadas e até agora não foram entregues. A fonte dos recursos também é um mistério.

Enquanto isso, a ponta do iceberg é conhecida e a aérea chegou como um alento no mercado aeronáutico brasileiro, que ainda vê uma grande quantidade de profissionais, incluindo pilotos, comissários de bordo, equipes de aeroportos e administrativo, fora do mercado. Em poucos meses, muitos viram na Itapemirim seu retorno à aviação.

Até agora, a empresa afirmou ter contratado 400 profissionais, entre próprios e terceirizados, além de já ter investido R$ 15,3 milhões no projeto (dos quais R$ 4,4 milhões referem-se a custos de aluguel de aeronaves).

Se considerarmos R$ 15,3 mi menos R$ 4,4 mi, teremos R$ 10,9 milhões. Esse montante dividido por 400 funcionários representa um investimento de R$ 27.250 por funcionário até o momento – não é o salário, mas o gasto com pessoal até agora, desprezando todos os demais custos administrativos.

Sobre os demais pontos da recuperação judicial, cabe à Justiça Brasileira atuar para resolver esse imbróglio. Enquanto isso, há motivos para torcer pelo sucesso da empresa e não apenas pelos empregos que gera, mas também por criar uma alternativa aos passageiros, onde mais concorrência geralmente significa redução de preços.

O voo inaugural é esperado para junho, enquanto isso, seguimos acompanhando o desenrolar do assunto.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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