JAL123: pior acidente aéreo do mundo com uma única aeronave faz 35 anos

Foto de Kjell Nilsson / CC BY-SA via Wikimedia Commons

Nesse dia 12 de agosto de 2020, completam 35 anos desde que o voo JAL123, da Japan Airlines colidiu com uma montanha ceifando 520 vidas, no mais mortal acidente aéreo da história mundial envolvendo uma única aeronave comercial.

Embora houvesse um erro de manutenção que desencadeou o fim trágico da aeronave, a empresa não se responsabilizou oficialmente e atribuiu todo o acontecimento a um acidente. À época do evento, o presidente da empresa, Yasumoto Takagi, renunciou ao cargo, enquanto que o gerente de manutenção, Hiro Tominaga, e o engenheiro que liberou a aeronave para voar, Susuma Tajima, se suicidaram.

Mas isso custou caro para a JAL, resultando num abalo fortíssimo à sua reputação e perda quase que instantânea de 25% de seus passageiros, que cancelaram voos com medo e migraram para a concorrente All Nippon Airways.

A linha preta mostra a rota do voo hora a hora

Por sua dimensão e as lições aprendidas, esse acidente é amplamente divulgado na mídia, tendo sido objeto de inúmeros documentários, um dos quais colocamos no final dessa matéria para quem quiser se aprofundar mais.

Como foi

Em 12 de agosto de 1985, um Boeing 747SR (JA8119) da Japan Airlines, decolou de Tóquio – Haneda no final da tarde para um voo de rotina até Osaka. Comandado pelo piloto Masami Takahama e o primeiro-oficial Yutaka Sasaki, o avião sofreu uma descompressão repentina após 15 minutos de voo e perdeu completamente o controle.

Com desespero, os pilotos tentaram estabilizar o jato, mas já sem controles hidráulicos, o 747 começou a oscilar para cima e para baixo, à total mercê da física. Despressurizado, o jumbo permaneceu flutuando em uma faixa de altitude de 20.000–24.000 pés (6.100–7.300 m) por 18 minutos. Os pilotos acharam a situação quase impossível de compreender, lutando para descobrir como descer a aeronave sem os controles de voo. 

Foto mostra o avião sem o estabilizador vertical

Minutos antes do 747 explodir no Monte Takamagahara, os pilotos tentaram estabilizar a aeronave realizando uma série de impulsos rápidos, mas com pouco efeito. Na gravação da caixa preta, os últimos momentos são de resignação com a morte certa, quando o comandante Takahama exclamou: “Não podemos fazer nada agora!”, após tantas tentativas inúteis dos pilotos de estabilizar a aeronave. 

O que houve

De acordo com um relatório oficial publicado pela Comissão de Investigação de Acidentes de Aeronaves do Japão, a aeronave se envolveu em um acidente de “tail strike” sete anos antes, quando a cauda foi danificada e seus reparos não estavam de acordo com os métodos aprovados da Boeing.

Para reforçar uma antepara danificada, os técnicos usaram duas placas de emenda em vez de uma placa com três fileiras de rebites. Como resultado disso, a resistência da antepara ao desgaste era de apenas 70% de sua capacidade original. Durante a investigação, a Comissão calculou que esta correção incorreta falharia após 10.000 ciclos de pressurização. Quando caiu, a aeronave havia completado 12.318 após a revisão defeituosa.

Esquema mostra o reparo que deveria ter sido feito (acima) e o que foi feito (abaixo)

Após tantos voos, a antepara começou a rachar perto de uma das duas fileiras de rebites que a mantinham unida. E quando falhou, resultou em rápida descompressão, rompendo todos os quatro sistemas hidráulicos e ejetando o estabilizador vertical, tornando a aeronave incontrolável, deixando um buraco no teto no fundo do avião.

Sobreviventes

O avião estava lotado, com 524 pessoas. A alta densidade é comum no Japão em algumas rotas mais movimentadas, que acabam sendo operadas por aeronaves widebody. Milagrosamente, 4 pessoas ainda sobreviveram à colisão e à explosão.

No entanto, a investigação também mostrou que, quando a equipe médica chegou no local, na manhã do dia seguinte e muitas horas após o acidente, eles identificaram corpos com ferimentos que sugeriam que muitos morreram devido ao choque e exposição durante a noite. Um médico teria dito: “Se a descoberta tivesse ocorrido dez horas antes, poderíamos ter encontrado mais sobreviventes”. Tal demora para início dos resgates foi duramente criticada pelo público.

Yumi Ochiai, uma das quatro sobreviventes, disse que se lembrava de luzes brilhantes e sons de helicópteros logo após acordar em meio aos destroços. Ela podia ouvir gritos e gemidos de outros sobreviventes, mas os sons morreram gradualmente ao longo da noite.

Assista ao documentário do NatGeo sobre o acidente e veja mais detalhes. Há também um vasto material na internet.

Carlos Roman
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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