Jato Embraer acaba de se tornar o primeiro ‘Sultão do Mar’ na Marinha do Paquistão

A Marinha do Paquistão acaba de introduzir seu primeiro de três modernos aviões Embraer Lineage 1000 de patrulha marítima (MPA), apelidados localmente de “Sea Sultan” e denominado “jato de patrulha marítima de longo alcance”. A cerimônia de posse da primeira aeronave aconteceu na base de Mehran, em Karachi. 

Mais duas aeronaves da série também foram contratadas pela Marinha do Paquistão. Essas aeronaves serão equipadas com armas e sensores de última geração para realizar Operações Aéreas Marítimas. O plano original compreende a introdução de até dez jatos do modelo, que também serão usados na guerra anti-submarino (ASW). Seu objetivo é substituir a frota de 6 Orions P-3A nos próximos anos.

O Chefe do Estado-Maior Naval elogiou a notável transição do Braço Aéreo da Marinha do Paquistão da era da hélice para a era do jato nas Operações de Patrulha Marítima de Longo Alcance. Ele assegurou à nação que a Marinha do Paquistão está empenhada em atualizar seu estoque de combate para gerar uma resposta rápida, sempre que necessário. Ele também destacou que a Marinha do Paquistão está efetivamente contribuindo para a política do governo de promoção da paz e estabilidade na região como uma nação responsável.

Sea Sultan

A primeira etapa do projeto foi a publicação de uma licitação para um avião bimotor a jato com peso máximo de decolagem (MTOW) de 54.500 a 63.500 quilos e autonomia de mais de 4.000 milhas náuticas (6.437 km).

A Marinha do Paquistão também acrescentou que os ‘principais componentes’ da aeronave, como motores, sistema de controle de voo, trem de pouso e outras peças críticas, devem estar livres da cobertura ITAR (Regulamento de Tráfego) de Armas internacionais dos EUA.

Para a segunda etapa, a Marinha modelaria a instrumentação a bordo do novo Sea Sultan conforme a do RAS-72 Sea Eagle. O RAS-72 é uma aeronave de patrulha marítima (MPA) baseada no ATR-72. A Leonardo foi a empresa escolhida para realizar as modificações e, com certeza, para integrar seus próprios equipamentos de sensor, comando e controle e comunicações.

A empresa italiana também oferece uma versão de patrulha marítima derivada do ATR-72-600, o ATR-72MP (da Patrulha Marítima), então parece que a oferta de Leonardo acabou prevalecendo.

Será muito interessante se, desse programa, surgir uma família que possa ser colocada no mercado de aeronaves de missão especial, como um modelo intermediário entre os Boeing P-8 e E-7 e os derivados do ATR-72 e C295 Persuader. A Embraer sairia ganhando nesse negócio.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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