JetSmart atualiza planos, prevê abrir companhia aérea na Colômbia, mas não cita Brasil

Avião Airbus A320 JetSmart

A JetSmart chegou ao Chile em 2017 com um projeto superambicioso, já que almeja ser uma low cost não só para esse país, mas também para o resto da América Latina com uma proposta de voos acessíveis em aviões “zero quilômetro”. Daí em diante, a empresa viu uma grande expansão, cresceu sua presença e abriu operações na Argentina e Peru, falou sobre abrir filiais na Colômbia e Brasil e tem gerado expectativa.

Recentemente, o CEO da empresa deu uma entrevista, onde atualizou sobre os planos da companhia. Essa matéria é do nosso parceiro argentino Aviacionline.

Brasil não citado

Em dezembro de 2018, a companhia recebeu sua primeira aeronave com registro “LV” para a subsidiária argentina que começou a operar em março de 2019. Para o próximo ano, 2021, será inaugurada a subsidiária do Peru onde já foi iniciado um processo de recrutamento de pilotos e tripulantes; e para o ano de 2022 a JetSmart está se preparando para entrar na Colômbia.

Em entrevista publicada pelo site “La República”, Estuardo Ortiz, CEO da JetSmart, disse que até dezembro próximo a companhia aérea triplicará as operações entre Chile e Colômbia com rotas para Santiago e Antofagasta. O executivo, no entanto, não citou o Brasil dessa vez, embora a companhia tenha deixado claro que trata-se de um mercado relevante da região.

“O projeto JetSmart é bastante ambicioso e visa cobrir toda a América Latina. A Indigo Partners (uma empresa de capital privado dos EUA) liderou a maior compra de aeronaves da história em 2017, quando comprou 430 A320. O pedido da JetSmart é de 104 aeronaves, agora operamos 17, toda a frota é nova. O conceito de ultra low cost chegou à Colômbia com a Viva em 2010, e nossa meta é sempre vender 35% mais barato do que uma companhia aérea tradicional. No Peru, esperamos ser certificados até o final do primeiro trimestre de 2021 e começaremos a operar no segundo trimestre”, explica Estuardo Ortiz.

Empresa na Colômbia

“A Colômbia é um mercado com muito potencial. No início de 2020 iniciamos as operações para a Colômbia com rotas de Bogotá e Cali para Santiago do Chile. Retomamos essas rotas após a pandemia e recentemente anunciamos as rotas de Bogotá e Cali para Antofagasta. Temos trabalhado com as autoridades para solicitar mais autorizações, vamos triplicar a oferta de voos em dezembro em relação a novembro para a Colômbia. Queremos posicionar a marca para eventualmente ter uma JetSmart Colômbia em 2022 ou próximo a essa data”.

Ortiz disse que “as crises também trazem oportunidades. A JetSmart está muito bem posicionada em sua estrutura de custos, planejamento de frota e capitalização. Podemos ir nos posicionando nos países de tal forma que, quando a recuperação do mercado começar em 2022 e 2023, possamos aproveitar a demanda”.

Mudanças de rumo

“Originalmente, teríamos desenvolvido ainda mais nossa operação no Chile ou na Argentina antes de abrir o Peru ou a Colômbia, mas o que está acontecendo é que o mercado interno da região está se recuperando mais rápido do que o internacional. Para aproveitar isso, você tem que ter uma operação própria, portanto, mudar o roadmap, expandir nossa atuação em diferentes países será mais importante do que antes”.

“Todos nós esperamos que a pandemia passe, mas o efeito econômico vai durar anos. A JetSmart está bem posicionada porque haverá alta sensibilidade ao preço, tanto para pessoas físicas quanto para empresas. Uma companhia aérea com preços mais baixos vai ter melhor captação de mercado do que uma tradicional”.

Sobre se os governos deveriam ajudar a incentivar o turismo, o CEO da JetSmart disse que, “os governos da região precisam estar cientes de que o setor de aviação tem um impacto muito alto no emprego e na economia” e pedem incentivos ao turismo como a redução de impostos na Colômbia ou na Argentina – “a redução das taxas serve para promover a recuperação do tráfego aéreo”, disse.

A expansão das aéreas de baixo custo vai gerar maior conectividade entre os países e dentro deles, bem como novos empregos, o que é muito animador para as economias dos países envolvidos em meio à crise global que gerou a pandemia do coronavírus.

Essa matéria é do nosso parceiro argentino Aviacionline.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

Veja outras histórias