Jumbo decola, deixa metais na pista e investigação descobre que eram latas de óleo

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Avião Jumbo Boeing 747-400 Rossiya
Boeing 747-400 da Rossiya – Imagem: Dmitry Terekhov / CC BY-SA

Um inusitado e perigoso incidente ocorrido no mês de outubro revelou que um Boeing 747 decolou deixando para trás, na pista, vários metais que, depois, foram identificados como latas de óleo.

Segundo informações apresentadas pelo The Aviaiton Herald, a aeronave envolvida no caso foi o Boeing 747-400 registrado sob a matrícula EI-XLE, operado pela companhia aérea Rossiya, em operação no dia 1º de outubro de 2020.

O Jumbo estava realizando o voo de número FV-5625 de Moscou Sheremetyevo, na Rússia, para Antalya, na Turquia, com 520 passageiros e 15 tripulantes. Ele partiu da pista 06R sem qualquer reporte de incidente, subiu inicialmente para o nível de voo de 35 mil pés (FL350), depois para o FL380 e completou o voo com um pouso seguro em Antalya.

Enquanto isso, uma inspeção da pista encontrou detritos metálicos que foram atribuídos ao EI-XLE. Apesar da descoberta, após cerca de 90 minutos no solo a aeronave ainda retornou a Moscou no voo de número FV-5626 e pousou em segurança em Moscou.

Após a chegada da aeronave ao aeroporto de Sheremetyevo, uma inspeção abrangente da aeronave e dos motores foi realizada, e não foram encontrados danos.

Após uma análise da ocorrência, a agência russa de investigação aeronáutica Rosaviatsia relatou que, após o reporte de detritos metálicos deixados pelo Boeing 747, latas de metal rotuladas “Mobil Jet Oil II” foram encontradas na pista.

Esse óleo, segundo a própria Mobil, é um “lubrificante de alto desempenho para turbinas a gás de aeronaves”, portanto, aparentemente as latas foram esquecidas em algum ponto da aeronave após terem sido utilizadas para aplicação do lubrificante em um ou mais motores do Jumbo.

Esse tipo de incidente se enquadra em uma categoria de problema muito alertado e combatido na aviação, o FOD – Foreign Object Damage, ou Dano por Objeto Estranho. Todas as pessoas envolvidas na operação aérea, seja pessoal de voo ou de solo, são instruídas a sempre estarem atentas a qualquer objeto estranho presente nos locais de movimentação das aeronaves, bem como ao controle de todo objeto utilizado nas operações, como ferramentas e insumos, entre outros.

Em uma situação como esta do Jumbo da Rossiya, um controle prévio e posterior da quantidade de latas de óleo utilizadas na manutenção teria revelado que havia menos latas depois do que a quantia inicial. Isso teria evitado o sério risco de uma lata ser esquecida, por exemplo, no bocal do motor e ser sugada após o acionamento.

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Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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