Latam não é a primeira a ter problemas com o sarcófago do avião Airbus A350

Recentemente divulgamos em primeira mão uma ocorrência um tanto quanto incomum, quando o um painel de revestimento do sarcófago de um A350 da Latam despencou do teto após o pouso em Frankfurt. Mas descobrimos que não é a primeira vez que isso acontece no jato.

A350 sarcófago

Uma situação similar já havia ocorrido em julho 2016 com a companhia aérea Cathay Pacific, de Hong Kong, que também foi uma das primeiras clientes do A350 XWB, assim como a Latam.

Porém, no caso da asiática, o painel não se desprendeu durante o pouso, mas sim porque um passageiro pensou que era um compartimento de bagagem tradicional e tentou abrir a qualquer custo (pelas imagens, dá para imaginar a força que o passageiro empregou no processo), segundo informou o South China Morning Post

Como falamos na reportagem anterior, os locais de descanso da tripulação do A350 ficam no fundo do avião, onde há uma escada que dá acesso a um deck superior, acima dos assentos dos passageiros das últimas fileiras. Com isso, esse modelo de Airbus difere de outras aeronaves, que têm essa área de descanso no porão do avião. Independente do lugar, essa área de “crew rest” é conhecida entre os tripulantes brasileiros como “sarcófago”.

Devido à essa configuração, o A350 perde alguns espaços que seriam originalmente dedicados aos bagageiros superiores, os chamados bins. Sendo assim, nas últimas fileiras do meio do A350 não há bagageiros superiores, mas existe um painel que, esteticamente, se parece muito com a porta de um bin comum.

Onde mora o perigo

Daí nasce um problema: no A350 da Cathay, e em todos os que já visitamos, inclusive o da LATAM, não consta um aviso de que aquele espaço não era para bagagem. Sendo assim, um passageiro acabou forçando em demasia a abertura deste painel, que por fim caiu após tanta força. O estrago após a queda é muito similar de como ficou o do A350 da LATAM na semana passada.

No caso da Cathay, o voo CX705, de Hong Kong para Bangkok, sofreu um atraso de três horas, tempo que a equipe de manutenção levou para consertar a peça. O passageiro seguiu no voo após o atraso inoportuno, afinal, ele não teve culpa de nada.

Tomando conhecimento desse caso, podemos pensar, como hipótese possível, que um passageiro possa ter causado a queda do painel. Com isso, ele pode ter ficado solto, vindo a cair após o impacto com a pista no momento do pouso. Fica a pergunta.

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos