LATAM Argentina pode cancelar rota para Miami devido a sindicato

Um conflito na Argentina entre sindicato e o braço local da LATAM pode levar o fim da rota Buenos Aires – Miami. E o motivo é simples: matrículas.

A partir de 2020 todos os aviões voando nos EUA (com raras exceções de aeronaves históricas) deverão ser equipados com transponder do tipo ADS-B. Isto vale para os pequenos Cessnas, para os grandes Boeings e até aviões militares, é uma regra da FAA.

E é aí que começou a “dor de cabeça” da LATAM: a rota para Miami a partir de Baires é feita com o lendário Boeing 767, a espinha dorsal do grupo LATAM para voos internacionais.

Estes aviões não estão equipados com ADS-B, são apenas três e que são dedicados exclusivamente a esta rota entre a Argentina e os EUA. O mais novo é o LV-CFV com 13 anos de idade, já o LV-IQW (antigo PT-MOG no Brasil)e o LV-ZYV possuem 21 anos de idade cada.

O que a LATAM propõe é que consiga operar esta rota com Boeings de matrícula chilena ou até brasileira, que já estão equipados com ADS-B, porém claro mantendo a tripulação, mecânicos e funcionários argentinos. Hoje isso não é permitido devido a cláusula de sindicatos.

Isso já acontece no Brasil em diversos voos da LATAM, principalmente saindo do Nordeste. São acordos que a ANAC brasileira permite e são relacionados a questão da bandeira de conveniência.

No caso da Argentina, a qual a divisão da LATAM é substancialmente menor comparado com a do Brasil e do Chile, e a frota de 767 é ainda menor, entra outro fator: intercambialidade em contingências.

Exemplo: um 767 argentino teve uma pane em Miami e não pode decolar para Buenos Aires pelas próximas 20 horas até que a manutenção seja feita.

Hoje é necessário acionar um avião reserva que vai sair da Argentina, chegar nos EUA mais de nove horas depois para assumir o voo original que fora cancelado/atrasado devido a manutenção no 767.

Porém Miami é o principal destino da LATAM nos EUA e conta com diversos voos diários para lá. Neste exemplo acima um 767 que chegou do Brasil e tem grande tempo de solo até assumir o próximo voo poderia assumir a rota para Buenos Aires, diminuindo o atraso e problemas para os passageiros com destino à Argentina.

“Para nós isso é muito importante e o que pedimos é que possamos matricular aviões na Argentina com matrícula chilena, para serem operados pela LATAM Argentina, com o seu certificado argentino, com tripulantes, mecânicos e despachantes argentinos. A única mudança é a na matrícula da aeronave” disse a CEO da LATAM Argentina, Rosario Altgelt, ao periódico LA NACION.

A CEO ainda explica que muitos pilotos querem isso, porém o sindicato não tem dado ouvidos. Caso a situação se perdure, será necessário cancelar a rota. O que provavalmente causaria um aumento de voos da American Airlines que opera duas vezes por dia na rota, tirando empregos argentinos e dando para americanos.

Outro ponto levantado por Rosario é que os aviões seriam mais utilizados porque fariam parte da frota continental da LATAM, trazendo maior rentabilidade para a empresa e mais voos para todo o grupo.

Apesar de não citar o assunto, o motivo provável que a LATAM não instale ADS-B em seus 767 argentinos é a falta de dispobinilidade para fazer a instalação e certificação dos três aviões em menos de seis meses sem comprometer a operação da rota neste período.

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos