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Latino-americanos ricos vão em seus jatinhos tomar a vacina nos Estados Unidos

Foto: Tampa Aviation (Twitter)

Uma reportagem recente da Associated Press (AP) ilustra perfeitamente um cenário previsto há muitos meses, logo no começo da pandemia, por analistas do setor aéreo: o turismo da vacina. Obviamente, tal oportunidade se concentra nas mãos de quem tem dinheiro para viajar e permissão de entrar no outro país – no caso dos latino-americanos ricos, o destino preferido são os Estados Unidos.

O país norte-americano já está com a vacinação em estágio avançado. Há duas semanas, o presidente Joe Biden anunciou que a vacina já estava liberada a qualquer adulto a partir de 16 anos. E toda essa velocidade também atrai os “forasteiros”, que em seus países ainda não têm a vacina disponível.

Muitos deles viajam em seus próprios jatos executivos ou fretam aeronaves, tomam a vacina e retornam aos seus países, com todo o distanciamento social proporcionado pelos voos privativos. Tudo isso ao custo de dezenas de milhares de dólares. A AP cita como exemplos desse seleto rol, políticos, personalidades da TV, executivos e jogadores de futebol.

Quem faz isso, sabe que há críticas de que estrangeiros estão se aproveitando dos contribuintes americanos ao serem vacinados nos Estados Unidos, já que o governo americano está pagando pelas vacinas e pelo custo de administrá-las a quem não tem seguro saúde. As restrições nos estados são poucas e uma pessoa consegue tomar sua dose mediante um breve cadastro, que pode usar até o endereço de um hotel para “provar residência” e apresentar um documento com foto.

A resposta uníssona dos vacinados latino-americanos é que estão tentando proteger a si mesmos e a sua família. O argumento parece justo.

“A desigualdade alimenta o turismo de vacinas”, disse Ernesto Ortiz, gerente sênior de programas do Global Health Innovation Center da Duke University, na Carolina do Norte à AP. “No Peru, por exemplo, apenas 3% dos 32 milhões de habitantes do país receberam uma dose”.

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