Mesmo lucrando alto com 38 Jumbos, Atlas se recusa a devolver dinheiro do governo

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A gigante do setor de carga aérea Atlas Air afirma que não irá devolver o dinheiro dado pelo governo americano como parte do popularmente chamado “coronavoucher”.

Avião Boeing 747-8F Atlas Air

A decisão foi informada pelo CEO da empresa, John Dietrich, segundo reporta o portal de notícias NewsBreak.

A Atlas foi uma das quatro companhias aéreas cargueiras que pediram uma espécie de auxílio-emergencial ao governo americano, chamando de CARE Act, que visa proteger os empregos de milhões de americanos em meio à crise do coronavírus.

Outras gigantes do setor de logística, como a FedEx Express e UPS Airlines, não recorreram à ajuda, mas a Atlas recebeu US$ 406 milhões como compensação pelos impactos gerados pela Pandemia de Covid-19.

Isso porque, como cita o próprio CEO, inicialmente a empresa teve perdas acumuladas com o fechamento da China, que foi o primeiro epicentro da doença. Foram semanas com o principal exportador do mundo fechado, inclusive no Ano Novo Lunar, uma data importante para o país oriental, nãos endo possível prever que depois o cenário mudaria.

Mas com a reabertura da China e fechamento de fronteiras para turistas pelo resto do mundo, voos de passageiros que também levam carga foram amplamente cancelados, aumentando a demanda dos voos puramente cargueiros.

Os preços do frete aéreo chegaram a duplicar ou até a quadruplicar dependendo da época da Pandemia e da rota a ser feita. Com isso, a Atlas Air viu suas ações dispararem e registrou um lucro líquido de US$ 74,1 milhões no terceiro trimestre de 2020.

Avião Boeing 747-400F Atlas Air
Imagem: Eddie Maloney / CC, via Wikinedia Commons

As outras empresas cargueiras acompanharam o ritmo e não registraram prejuízo. Assim, o congresso americano cobrou de volta o dinheiro dado pelo governo a algumas companhias cargueiras, mas, pelo menos em relação à Atlas, não deverá receber tão fácil.

“Nós não tínhamos como prever que conseguiríamos cumprir nossa folha de pagamento”, afirma o CEO, citando que a empresa atendeu a todos os requisitos para receber o coronavoucher.

“Por todas estas razões (incluindo fechamento da China por semanas), não pretendemos devolver o dinheiro dado. Estamos respondendo de acordo com os requisitos do governo e também cooperando com o comitê do congresso”, afirma John.

Agora, para o dinheiro ser devolvido, os congressistas precisarão provar que alguma cláusula na ajuda previa a devolução em caso de lucro, ou que a intenção não era dar dinheiro para quem tivesse boas receitas ao longo da crise.

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Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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