Maduro consegue um segundo A340 para os misteriosos voos da Conviasa

Talvez você se lembre quando, em 20 de junho, falamos sobre a tentativa do governo de Nicolás Maduro de incorporar um segundo Airbus A340 para a frota da misteriosa Conviasa, a companhia aérea estatal venezuelana. Segundo as indicações mais recentes, parece que o negócio está fechado.

Segundo dados do FlightRadar24, o Airbus A340-300 que pertenceu à Avior com matrícula YV3292 voou de Barcelona (Venezuela) para Caracas no último dia 25 de julho, já com o prefixo novo de YV643T. Embora no radar ainda apareça o registro anterior, no Planespotter e em outros sites de rastreiam o histórico das aeronaves já consta o novo prefixo.

Como destacou o perfil @sintoniadx no Twitter, talvez tenha sido a última vez que o quadrimotor foi visto nas cores da Avior.

Pagamento em espécie

Segundo o El Pitazo, o presidente da Avior, Juan Bracamonte, realizou várias reuniões e aceitou a venda do avião, que estava parado desde que a empresa cessou a rota entre Barcelona e Miami, em Maio de 2019, com as condições de que:

  • qualquer imagem ligando a aeronave a Avior seja removida antes do avião deixar a Venezuela
  • o pagamento seja feito em espécie, ou seja, através de créditos de combustível e outros créditos financeiros.

Voos entre Venezuela e Irã

Com essa nova aquisição, Nicolás Maduro poderá evitar sanções, já que essa aeronave ainda não consta na lista de aviões sancionados dos EUA e outros países aliados, e também pode ser uma aeronave reserva (em caso do outro A340, da série -200, estar inoperante) nos misteriosos voos entre a Venezuela e Irã.

A ligação direta entre os dois países ganhou novo fôlego nesse ano após a realização de voos quase que diários operados por aeronaves da iraniana Mahan Air, com maior intensidade, e da própria Conviasa.

O motivo dos voos nunca foi claramente divulgado por nenhum dos dois lados, mas o governo americano diz ter relatórios de inteligência em que alega que eles são usados para transportar cargas ilegais de ouro, armas e até drogas. Recentemente, Mike Pompeo, Secretário de Estado Americano, conclamou aos países do Mediterrâneo a fecharem seus espaços aéreos para os voos da Conviasa, que são conhecidos como “Aeroterror”, porém, a tentativa foi em vão até agora.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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