Mais de 1.200 aeronaves devem voltar aos lessores em 2021, e sem novas casas

O mercado de leasing de aviões comerciais passará por uma turbulência considerável em 2021 com mais de 1.000 aeronaves a serem retornadas aos locadores sem opções claras para sua recolocação no mercado. Essa é a projeção do International Bureau of Aviation (IBA), uma consultoria especializada em análise de dados para a aviação.

Em um webinar na segunda-feira (21), a IBA disse que projeta ver cerca de 1.300 aeronaves, incluindo 200 widebodies, programados para serem devolvidos aos seus locadores em 2021 devido a fins de contratos e que eles não devem encontrar uma nova casa tão cedo.

A IBA diz que, devido à queda na demanda causada pela pandemia Covid-19, a grande maioria dessas aeronaves não terá arrendamentos garantidos com outros operadores. Atualmente, existe um número muito grande de companhias aéreas que buscam rescindir os contratos de arrendamentos mais cedo devido às reestruturações e esse movimento é previsto para durar mais alguns meses, gerando incerteza no mercado de leasing aeronáutico.

Essa incerteza quebra o modelo estabelecido nos últimos anos de devoluções contínuas, e o IBA espera um nível mais alto de disputas entre companhias aéreas e arrendadores em torno de devoluções e devoluções de arrendamento.

A consultoria também prevê que essa queda na atividade de leasing de aeronaves levará a uma queda correspondente nas visitas às oficinas de motores. Antes da Covid-19, esperava-se que aumentassem de 3.200 em 2019 para 4.500 até 2023 o número de revisões. Agora prevê-se que haverá apenas 1.000 visitas neste ano e levará até 2026 para atingir os níveis originalmente previstos para 2019.

Phil Seymour, presidente do IBA, diz: “O dinamismo no mercado de leasing de aeronaves comerciais dos últimos anos está sendo interrompido abruptamente pela Covid e prevemos um impacto significativo não apenas nos locadores, mas em todo o ecossistema de abastecimento – particularmente no setor de MRO”.

O IBA também abordou as circunstâncias únicas do retorno ao serviço do Boeing 737 MAX. Não apenas o período de armazenamento estendido para a aeronave criou um conjunto de questões técnicas que precisam ser resolvidas, mas o número de aeronaves originalmente paradas aumentou devido àqueles fabricados durante o período de parada geral. No total, mais de 750 aeronaves precisarão retornar ao serviço de maneira eficiente.

Seymour acrescenta: “É crucial para a Boeing que ela lide com o retorno do MAX ao serviço de forma eficiente e sem incidentes. Dado o grande número de aeronaves envolvidas, prevemos que esse processo levará até dois anos”.

O mercado de leasing de aviões comerciais passará por uma turbulência considerável em 2021 com mais de 1.000 aeronaves a serem retornadas aos locadores
Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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