Mais um estudo vê baixo risco de Covid em voos, mas o problema está no solo

Mais um estudo com metodologia científica, conduzido nos Estados Unidos, comprovou o baixíssimo risco de disseminação da Covid em voos comerciais. Na verdade, o risco de fato é baixo, mas existente, como outros estudos já mostraram. No entanto, o que realmente importa aos viajantes – principalmente os internacionais – nem sempre é o que está no céu, mas sim o que acontece em terra.

O novo estudo

Nessa semana, a Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA) deu as boas-vindas à divulgação dos resultados dos testes do Comando de Transporte dos Estados Unidos (US Transcom), confirmando o baixo risco da transmissão COVID-19 a bordo de uma aeronave.

O teste, que foi realizado em agosto, descobriu que “o risco geral de exposição a patógenos aerossóis, como o coronavírus, é muito baixo” nos tipos de aeronaves normalmente contratadas para transportar funcionários do Departamento de Defesa (DOD) e suas famílias. Mais de 300 liberações de aerossol, simulando um passageiro infectado com COVID-19, foram realizadas ao longo de oito dias usando aeronaves Boeing 767-300 e 777-200.

Os testes da US Transcom mostraram que o aerossol foi “rapidamente diluído pelas altas taxas de troca de ar” de uma cabine de aeronave típica. As partículas de aerossol permaneceram detectáveis ​​por um período de menos de seis minutos em média. Ambos os modelos de aeronaves testados removeram partículas 15 vezes mais rápido do que um sistema de ventilação doméstico típico e 5-6 vezes mais rápido “do que as especificações de projeto recomendadas para operações de hospitais modernos ou salas de isolamento de pacientes”. O teste foi feito com e sem máscara para o passageiro infectado simulado.

Os testes foram conduzidos em parceria com a Boeing e United Airlines, bem como com a Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA), Zeteo Tech, S3i e o National Strategic Research Institute da University of Nebraska.

Contraponto

Nenhum estudo adiantará, enquanto os passageiros ainda se sentirem inseguros para viajar. No caso, não falamos sobre insegurança quanto à probabilidade de contaminação, e sim com o quanto podem ter suas viagens afetadas pelas regras de entrada e saída dissonantes entre os países. Como todos os dias fazemos matérias relacionadas com aviação, retomadas e cancelamentos de voos, aberturas e fechamentos de fronteiras, vemos o quão diferentes são as regras de entrada e saída nos países.

Por exemplo, há necessidade de teste PCR negativo feito com diferentes periodicidades antes do embarque, dependendo do país; em alguns lugares há regras de quarentena após a chegada; outros pedem formulários e mais formulários; sem contar os diferentes aplicativos de celular que precisam ser instalados e registrados para que os governos monitorem seu estado de quarentena ou de saúde.

Com toda essa incerteza, somente vai viajar quem realmente está precisando muito por motivos familiares, turismo ou negócios e/ou quem está disposto a cumprir todas as regras. No entanto, muita gente evitará pegar um voo para fora do seu país para evitar estresses, num momento que deveria ser de paz.

Enquanto isso, a alternativa são os voos domésticos e, mesmo assim, há incertezas quanto a ondas de contaminação, lockdowns, brigas políticas, que também afastam as pessoas dos aviões.

Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

Veja outras histórias